Biólogo é contra a liberação de plantio e venda de transgênicos
Israel Reinstein
A Comissão de Tecnologia Nacional de Biosegurança (CTN-Bios) do Ministério de Ciência e Tecnologia não teria capacidade tecnológica para liberar o cultivo de material transgênico no Brasil. Para o biólogo Volnei Garrafa, da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Ministério da Saúde, a CTN-Bios não se enquadra entre os institutos de ponta que poderiam pesquisar os efeitos futuros do consumo de vegetais transgênicos. O pesquisador esteve ontem em Curitiba, participando de um ciclo de palestras promovido pelo Instituto Ciência e Fé.
Garrafa sugere que a discussão sobre essa tecnologia deva ser aberta à sociedade. Atualmente, uma liminar da Justiça impede o plantio de sementes modificadas com esta tecnologia. Ele informou que uma pesquisa do Instituto Osvaldo Cruz, do Rio de Janeiro, apontou que a população brasileira conhece pouco sobre o assunto. Entrevistando pessoas de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, a pesquisa mostrou que apenas 13% dos paulistas conhecem o assunto, contra 16% dos cariocas e 63% dos gaúchos. No Rio Grande do Sul, a situação é diferente, porque a discussão é antiga, por ser um estado agrícola e vizinho da Argentina e Uruguai, que plantam transgênicos, disse.
O pesquisador considera que a tecnologia que implanta genes de animais em espécies vegetais, tornando as plantas resistentes à determinadas doenças, ainda não é bem estudada. Não se sabe quais são os efeitos nas próximas gerações, afirmou. Ele contou que foram descobertas recentemente
as causas da epidemia da vaca-louca, na Inglaterra. Não foram virais, mas fruto da alimentação de ração feita com produtos transgênicos, disse Garrafa.
O pesquisador informou que 60% da alimentação do brasileiro tem soja ou derivado do produto em sua composição. A leticina de soja está em diversos alimentos, como biscoitos e algumas batatas fritas, disse. Para controlar o uso dos transgênicos, ele sugeriu a criação de um comitê de ética independente, que possa orientar o presidente da República. Os países europeus já possuem estes mecanismos. Na Inglaterra, por exemplo,o comitê criou regras específicas para experiências com embriões, afirma.





