Um córrego praticamente morto, onde a vida está sendo obrigada a competir com níveis altos de poluição. Esta é a situação do Quati, um dos quatro córregos da Bacia do Ribeirão Jacutinga da qual ainda fazem parte o Água das Pedras e o Lindóia. Moradias irregulares em áreas de preservação ambiental e indústrias que despejam poluentes como graxa, óleo, metais pesados, espuma, ligações clandestinas de esgoto e a degredação da mata ciliar, entre outros fatores, desfiguraram o córrego. Os únicos peixes que conseguem sobreviver nessas condições são os mais resistentes.
Para salvar não só o Quati, mas os quatro córregos que compõem a bacia do Jacutinga, seria preciso uma intervenção integrada de órgãos como o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), secretarias municipal e estadual de Meio Ambiente e Ministério Público (MP), além da um trabalho de educação e conscientização da população.
Um retrato da situação da bacia foi apresentado ontem, durante o ''Workshop Diagnóstico Ambiental da Bacia do Ribeirão Jacutinga'', realizado no Centro Cultural Lupércio Luppi (Zona Norte), resultado de um estudo do Laboratório de Ecologia Microbiana do Departamento de Microbiologia da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O diagnóstico levou sete meses para ser produzido. PhD em Ecologia, Galdino Andrade, coordenador do diagnóstico, aponta que a ocupação das áreas de preservação do Quati e a existência de pequenas indústrias na região estão contribuindo para a morte do córrego. ''É um processo amplo, que deverá abrir ações no Ministério Público a partir do ano que vem'', ressaltou Andrade.
O secretário de Meio Ambiente Dirceu Fumagali, que participou da abertura do evento representando o prefeito Nedson Micheleti, espera que o diagnóstico contribua para a construção de políticas públicas de preservação ambiental.

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