Londrina tem registrados até agora 776 casos de dengue, sendo 723 autóctones. O número, apesar de superior ao ano passado, não chega a ser preocupante (vale lembrar que, em 2003, foram quase 8 mil casos e dois óbitos), e é bem inferior a outras cidades da região, como Cambé e Maringá. Ainda assim, cerca de 260 agentes de controle de endemias fazem fiscalizações diárias em todas as regiões da cidade. O município também está sujeito aos fumacês, aplicações de inseticidas por meio de caminhões, multas e campanhas de conscientização.
Um projeto desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais, porém, poderia mudar essa estratégia de ação, através de um princípio simples: identificar onde estão os mosquitos e agir com mais rigor nessas regiões específicas. Um grupo coordenado pelo professor Alvaro Eduardo Eiras desenvolveu o Monitoramento Inteligente da Dengue (M.I.Dengue).
Funciona assim: uma armadilha atrai e prende os mosquitos. Essa armadilha é distribuída em vários pontos da cidade (em média, 16 armadilhas por quilômetro quadrado). Funcionários treinados fazem o monitoramento dessas armadilhas, verificando o número de mosquitos apreendidos, e repassam imediatamente a informação para uma central, via palm ou telefone celular. De posse dos dados de cada ponto, é possível fazer um mapeamento dos focos em toda a cidade, com a elaboração inclusive de um mapa do mosquito da dengue no município toda semana. ''O grande diferencial é a rapidez da informação, que vai contribuir na tomada de decisões e ações preventivas de controle'', afirma o professor, que esteve esta semana em Londrina para participar do Encontro Brasileiro de Ecologia Química.
Dessa forma, não seriam necessários tantos agentes nem a aplicação indiscriminada do inseticida - contra o qual, com o tempo, o mosquito vai adquirindo resistência. ''O sistema permite economizar até 90% do que é gasto hoje. Além disso, as armadilhas ficam nas casas das pessoas mediante a assinatura de um termo de compromisso. Isso contribui para que a população tenha um contato mais próximo e se conscientize sobre os riscos da dengue'', acrescenta.
A idéia para o projeto veio depois que o filho do professor ficou internado com a dengue. Fruto de oito anos de pesquisa, essa tecnologia (que já ganhou o Tech Museum Awards nos Estados Unidos e elogios de Bill Gates) tem apresentado resultados positivos nos sete municípios em que foi implementada. Em Vitória, no Espírito Santo, por exemplo, o projeto começou este ano, com cerca de 1.500 armadilhas, e a cidade teve uma redução de mais de 70% no número de casos. ''Em Congonhas do Campo (cidade turística mineira), eles instalaram em 2005, sem ter tido casos da doença na cidade, e continuam sem até hoje, embora todas as cidades vizinhas já tenham registrado casos, desde então'', complementa.
A idéia também já foi exportada para a Austrália, e sua implementação em larga escala no Brasil está sendo avaliada pelo Ministério da Saúde. A equipe de Eiras está trabalhando no desenvolvimento de sistemas semelhantes para outras doenças, como leishmaniose e malária.
Utilizando a tecnologia como instrumento e a informação como arma, o projeto só não é capaz de mudar a mania do poder público de tratar dos sintomas ao invés de investir na prevenção.

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