Bióloga alerta
para a falta
de saneamento
A questão ambiental e, consequentemente, a educação, são alguns fatores responsáveis pelo fato de estarmos às voltas com doenças que poderiam perfeitamente pertencer ao passado. A bióloga Cíntia Gomes Perri, de Ribeirão Preto (SP), explica que a destinação do lixo, a falta de saneamento e o desmatamento desordenado impedem o controle de doenças como cólera, dengue, febre amarela.
Ela afirma que o Brasil viveu um intenso crescimento populacional e que o governo não criou um plano de acompanhamento, principalmente, na área de saneamento básico e educação. ‘‘A erradicação da cólera, por exemplo, depende apenas de água limpa’’.
Junto com o crescimento populacional veio obviamente um aumento na produção de lixo, para a qual o governo também não se preparou. ‘‘O destino do lixo daqui para frente é algo que me preocupa muito’’, afirma a bióloga. O destino inadequado de lixo é um dos fatores que facilitam a proliferação do Aedes aegypti, mosquito transmissor da febre amarela urbana e da dengue.
O problema do lixo orgânico, principalmente fezes de animais, tem trazido de volta doenças como a leishmaniose, que provoca feridas de difícil cicatrização. Um dos primeiros casos foi registrado em Araçatuba, interior de São Paulo, no início da década de 90, lembra a bióloga.
Doenças endêmicas como malária e febre amarela silvestre estão mais associadas ao desmatamento. ‘‘O homem destrói as florestas e o mosquito acaba saindo de seu habitat natural e indo para a área urbana’’, explica Cíntia Perri.
Um fator que minimizaria esta situação, segundo ela, é o controle biológico. ‘‘Em algumas regiões do Norte, por exemplo, são criados peixes que se alimentam da larva do mosquito transmissor da malária, sem isto a doença chegaria ao meio urbano’’, afirma a bióloga. ‘‘São doenças facilmente evitáveis desde que exista um planejamento governamental de educação, destino de lixo e saneamento’’. (E.P)