A professora doutora Olivia Marcia Nagy Arantes, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), pesquisa há 26 anos a bactéria Bacillus thuringiensis. A pesquisa com o organismo começou quando ela tinha completado seu 23º aniversário. Hoje, ela mesmo admite que conhece o bacilo ''melhor do que a si própria''. Foi um dos motivos pelo qual Olivia, junto com o professor doutor José Lopes, desenvolveu a partir da proteína produzida pela bactéria um bioinseticida específico para o combate ao mosquito Aedes Aegypti.
Ontem, a dupla de pesquisadores apresentou uma nova disposição do inseticida, em grânulos e comprimidos, inéditas no país. O presidente da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento da UEL (Fauel), Hamil Adum Filho, aproveitou a apresentação do produto, chamado inicialmente de Biouel, para anunciar o objetivo da instituição em montar uma usina capaz de produzir em escala o combatente biológico do mosquito da dengue.
Segundo José Lopes, 0,2 mg do produto granulado é suficiente para o controle das larvas do Aedes Aegypti em uma caixa da água de 100 litros. Já o comprimido é suficiente para eliminar as larvas em uma caixa de mil litros. ''O inseticida não tem grau de toxicidade, ou seja, elimina todas as larvas do mosquito e não é prejudicial ao meio ambiente'', afirmou o pesquisador. Nas primeiras fases de aplicação, o produto deve ser usado toda semana. Os intervalos podem ser maiores em um segundo estágio de combate às larvas.
A facilidade de manuseio do inseticida, que também poderá ter um custo baixo de produção, é uma das maiores vantagens apresentadas pelo Biouel. Lopes prevê que o produto poderá ser vendido em pequenos cartelas nos supermercados e farmácias, com preço viável. ''O próprio consumidor poderá fazer o seu combate caseiro às larvas do mosquito'', lembrou. Porém, o pesquisador não encara o bioinseticida como solução definitiva. ''Não estamos apresentando nada que vai substituir o que já está sendo feito pelo poder público no combate à dengue'', ressaltou. ''A educação ainda é a melhor maneira de eliminar a doença.''
Olivia acrescentou que o bioinseticida é utilizado na África há 30 anos, sem apresentar nenhuma resistência entre as larvas. ''Não é o que ocorre com os inseticidas químicos, contra o qual os insetos comprovadamente estão apresentando um aumento crescente da resistência'', frisou. Além do grupo da UEL, outros três ligados a instituições públicas no Brasil (dois na Fiocruz e um na Embrapa de Brasília) mantêm as pesquisas sobre o bioinseticida.

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