Kátia Fenyves, coordenadora de projetos de biodiversidade: Londrina tem potencial hídrico elevado
Kátia Fenyves, coordenadora de projetos de biodiversidade: Londrina tem potencial hídrico elevado | Foto: Gina Mardones



O pontapé inicial para a troca de informações ligadas à área ambiental entre os 25 municípios que formam a Região Metropolitana de Londrina foi dado nesta segunda-feira (5), durante a conferência e workshop "Biodiversidade, Serviços Ecossistêmicos e Gestão Metropolitana", na prefeitura municipal. Londrina é uma das três metrópoles brasileiras a participar do projeto InterACT-Bio, implementado pelo Iclei (Governos Locais para Sustentabilidade). As outras duas cidades são Belo Horizonte (MG) e Campinas (SP).

O projeto tem como objetivo desenvolver ações em biodiversidade, conservação do meio ambiente e desenvolvimento das cidades. O encontro se encerra nesta terça-feira (6), com reuniões técnicas e um workshop, em que os gestores deverão definir a prioridade dos serviços ambientais para a região e receber instruções para a implementação do projeto.

A coordenadora de projetos de biodiversidade e resiliência do Iclei, Kátia Fenyves, diz que a ideia é definir um escopo de atuação para o projeto na região metropolitana. "A gente espera coletar informações sobre as políticas públicas de Londrina em relação à biodiversidade, às pressões que existem sobre os serviços ambientais, enfim, fazer um diagnóstico inicial", comentou.

Em um primeiro escaneamento, segundo Fenyves, Londrina demonstrou um potencial hídrico bastante elevado. "São 84 corpos d'água apenas em Londrina, então um dos caminhos que esse projeto pode vir a tomar é a gestão integrada dos recursos hídricos a nível metropolitano", adiantou.

Em relação às outras duas cidades brasileiras, Fenyves afirma que já é possível perceber os resultados. "Em Campinas, estamos assessorando o mapeamento do uso do solo para a construção de um corredor verde metropolitano; e em Belo Horizonte atuamos na capacitação técnica, pois já temos um escopo definido, que é o uso de técnicas agroflorestais para implementação da trama verde e azul metropolitana."

ZONEAMENTO
O InterACT-Bio é gerenciado pelo Iclei no Brasil e financiado pelo BMUB (Ministério Federal Alemão do Meio Ambiente, Conservação da Natureza, Construção e Segurança Nuclear), por meio da Iniciativa Climática Internacional. O projeto foi iniciado em 2017 e terá duração de quatro anos em nove regiões metropolitanas de três países: Brasil, Índia e Tanzânia.

Apesar desse projeto não ser vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, ele traz a discussão da dimensão ambiental para um planejamento territorial a nível local. Essa observação é dada pelo analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente, Fábio Abreu. Ele explicou que, paralelo a esse projeto, Londrina integra a agenda do Zoneamento Ambiental Municipal, previsto no Estatuto das Cidades e viabilizado por meio de uma parceria com o Banco Mundial.

"Estamos atuando nessas localidades a fim de receber dos gestores locais os insumos para construção de um marco legal referente ao zoneamento ambiental municipal. Londrina tem um crescimento urbano elevado e com um plano diretor em fase de revisão. A ideia é que o elemento do zoneamento ambiental entre nessa revisão de forma mais profunda", completou. Além de Londrina, participam Palmas (TO), Imperatriz (MA), Nova Friburgo (RJ) e Maceió (AL).


Planejamento para a região

Um aspecto muito importante no InterACT-Bio, projeto implementado pelo Iclei (Governos Locais para Sustentabilidade), é identificar em Londrina e região metropolitana as principais causas de perda de biodiversidade, a fim de priorizar as ações ambientais.

Essa é a leitura da secretária municipal do Ambiente, Roberta Queiroz, que acrescenta ainda que essa iniciativa atende as normativas novo Estatuto da Metrópole. "Os resultados alcançados pelo nosso projeto vão embasar nosso plano de desenvolvimento integrado que será encaminhado ao governo de Estado. Os levantamentos vão sendo repassados e, ao longo de três anos, esperamos trazer um bom resultado para conseguir outros recursos para investimento nessas áreas", destacou.

O prefeito de Jataizinho, Dirceu Urbano Pereira, participou da conferência acompanhado por uma equipe técnica da secretaria de Meio Ambiente. A prioridade do município, segundo ele, é a destinação correta do lixo. "Jataizinho não tem coleta seletiva e o lixo é jogado a céu aberto. Já criamos um plano de resíduos sólidos e nossa prioridade é buscar todo tipo de informação nesse sentido. Além disso, também queremos saber como buscar recursos para o desassoreamento do Rio Jataizinho, pelo menos no trecho urbano", afirmou.

Em Ibiporã, o prefeito João Toledo Coloniezi diz que a preservação do Ribeirão Jacutinga, que abastece a cidade, é uma questão a ser priorizada. "Também estamos trabalhando na preservação dos fundos de vale e conscientização da população quanto à separação correta do lixo", citou.

Para Queiroz, além de capacitar os gestores a inserir os serviços ecossistêmicos no planejamento ambiental, a participação no projeto "é uma forma de pensar em infraestruturas sustentáveis para promover uma melhor qualidade de vida na região."

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