Israel Reinstein
De Curitiba
A Federação Paranaense de Voleibol suspendeu ontem o sorteio do Bingo Sacada da Sorte. O cancelamento foi decidido pelos organizadores um dia depois da apreensão de 30 mil cartelas pelo Departamento de Proteção ao Consumidor (Procon) da Prefeitura de Campinas, São Paulo. A federação alega que não conseguiu vender nem 10% das mais de 1 milhão de cartelas emitidas. Por isso pretende promover uma campanha de marketing anunciando que vai devolver o dinheiro de quem adquiriu cartela.
O bingo prometia um prêmio de R$ 500 mil em barras de ouro, além de 110 carros do modelo Fiat Palio. O sorteio previsto para o dia 15 de janeiro, somente recebeu autorização da Serlopar para operar nacionalmente na semana passada. Mesmo assim era vendido em outros estados.
Em Campinas, as cartelas eram comercializadas nas ruas da cidade. O diretor do Procon de Campinas, Ademir José Silva, disse que elas foram recolhidas porque continham uma série de irregularidades. Silva disse que a Bento Gomes Chagas, empresa responsável pelo bingo, que agia em nome da federação, não pediu autorização à prefeitura para distribuir os bilhetes. Além disso, as informações que constam na cartela sobre o sorteio não estavam completas, como determina a lei. ‘‘Na cartela consta apenas que o sorteio será transmitido pela TV e a data marcada para ocorrer, 15 de janeiro, sem explicar, por exemplo, onde vai ser realizado o sorteio ou qual a emissora que vai transmitir’’, afirmou Silva.
O Procon apurou que a venda do Sacada da Sorte começou em 4 de janeiro e que, desde então, foram distribuídas cerca de 70 mil cartelas em Campinas. O Procon quer saber quanto já foi depositado por consumidores de Campinas em nome do bingo. As cartelas eram vendidas a R$ 5,00. O comprador deveria pagar R$ 1,00 à vista, para as pessoas que vendiam as cartelas na rua, e o restante, R$ 4,00, seriam recolhidos nas agências do Banestado.
Por meio de sua assessoria de imprensa, a Federação de Voleibol informou que a suspensão do sorteio foi uma forma de evitar danos aos compradores. Com medo de não conseguir dinheiro suficiente para custear os prêmios, os organizadores optaram pelo cancelamento.
A assessoria argumentou que com a suspensão e a promessa de ressarcimento dos compradores, o processo do Procon de Campinas pode ser interrompido. A federação informou em nota à imprensa que os apostadores de Curitiba podem reaver o dinheiro em sua sede na Rua Júlia da Costa, 458. Já quem vive em outras cidades deve enviar cópia autenticada da cartela para o mesmo endereço, acrescentando o CEP 80410-070, Curitiba-PR. O telefone da federação é (0xx41) 233-4173. (Colaborou Paulo San Martin/Especial para a Folha – De Campinas)

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