Foz do Iguaçu - ''Estamos quietinhos no nosso canto. Só estou esperando alguém mandar eu fechar as portas''. Essa é a explicação para o funcionamento do Las Vegas Bingo, em Foz do Iguaçu, feita por um representante da empresa. A abertura afronta a decisão do governador Roberto Requião (PMDB) de proibir a exploração do jogo no Estado.
Apesar da decisão do governador, que estará hoje na cidade, o estabelecimento vêm funcionando normalmente na Rua Rebouças, no centro. A casa costuma abrir a partir das 17 horas e fecha perto da meia-noite, durante os sete dias da semana, sem horário fixo para operar. A reportagem constatou, na quinta-feira e sexta-feira, a presença de pelo menos 50 jogadores em cada dia. A maioria formada por idosos, mas até um militar fardado foi encontrado jogando anteontem à noite no Las Vegas.
A situação contraria a realidade de cidades como Curitiba e Londrina, que tiveram seus bingos fechados depois dos dois decretos de Requião, no início de abril. A medida atingiu perto de 40 bingos, metade na Capital. Anteontem, o Tribunal de Justiça negou pedido de agravo regimental impetrado pelo Sindicato de Bingos do Paraná solicitando a reabertura.
Ontem, o delegado-chefe da 6 Subdivisão Policial (SDP), Haroldo Davidson, disse à Folha ter determinado, ''nesta semana'', o fechamento do Las Vegas diretamente com o proprietário da empresa. ''Eu não recebi comunicado para fechar, mas como o Requião falou que as casas devem ser fechadas, eu o avisei para fechar pacificamente'', justificou. Informado da abertura do comércio, Davidson respondeu: ''Vamos ver se ela vai funcionar hoje (ontem), então. Dá um pulinho lá para ver. Se ela for funcionar, você me avisa que daí eu vou lá pessoalmente e fecho''.
A Folha procurou os proprietários do bingo, mas foi recebida por um homem que se apresentou como marido de uma sócias e representante da empresa, e que se identificou apenas por João Antônio. Segundo ele, a empresa sabe da proibição mas argumentou que ''o bingo emprega 26 funcionários diretos, mais os indiretos''. ''Não temos autorização especial para abrir. Quando sua matéria sair, serei obrigado a mandar os empregados ficar em casa até sair uma decisão judicial'', justificou. Na insistência de falar com os proprietários, João Antônio garantiu que ''a minha posição é a da empresa'', afirmou.
Sua opinião, porém, contraria a versão de um funcionário da casa que não quis se identificar. Segundo ele, a casa estaria operando apenas com ''bingos beneficentes e de forma excepcional durante a semana''. Ontem, uma zeladora da Las Vegas, que pediu para não ser identificada, informou que não haveria expediente à noite.

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