Os primeiros indícios apurados na manhã de ontem pela equipe de peritos do Quinto Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa V) são de que a queda do avião bimotor no final da tarde de sexta-feira, em um sítio no Distrito do Espírito Santo (Zona Sul de Londrina) foi causada por falha operacional. A hipótese mais provável é que o vôo era realizado a altitude e altura muito baixas, insuficientes para que o piloto corrija a manobra, em caso de perda de controle da aeronave. Os três ocupantes do bimotor morreram carbonizados.
  Segundo o major aviador Romualdo Melo, integrante da equipe do Seripa e responsável por investigar possíveis problemas operacionais que teriam levado ao acidente, o piloto Gleiton Zanetta Borba (conhecido como Borbinha), de 33 anos, proprietário da aeronave, e o co-piloto Ronaldo de Souza Pescador, 33 anos, estariam realizando um vôo de treinamento, com manobras de baixa altura. Amanhã, às 7 horas, eles fariam teste para revalidar a carteira de piloto junto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
  ‘‘É muito provável que eles estivessem treinando para o teste. Mas a altura em que estavam, que de acordo com o plano de vôo encontrado junto aos destroços da aeronave era de mil pés (2,7 mil metros de altitude), é contra as normas de segurança’’, afirmou Melo. De acordo com o major, alguns sinais indicam que o bimotor estava fora de controle, como o fato de ter caído girando e de ter batido ‘de barriga’ e parado no chão. ‘‘Quando o piloto tem algum controle, o avião bate no chão mas continua em movimento, fazendo ‘um caminho’ por onde passa. Aqui ele caiu e ‘chapou’.’’ O bimotor modelo Baron 58 caiu a cerca de 20 metros de uma granja e próximo à residência dos proprietários do sítio.
  Melo explicou ainda que uma primeira análise dos motores não indicou ocorrência de falhas. Os manetes também foram encontrados em posição normal de vôo e havia combustível no tanque, já que a aeronave pegou fogo ao chocar-se contra o chão. Além de possíveis causas operacionais e materiais (problemas na aeronave), os peritos do Senipa investigam também aspectos médicos e psicológicos que podem ter causado a queda. Não há prazo definido para a comissão concluir o relatório.
  Os corpos do piloto e do co-piloto seriam sepultados na tarde de ontem em Sertanópolis (Norte). Já o jovem Oséias Júnior Pereira Sena, de 18 anos, seria enterrado às 17 horas, no Cemitério Parque das Oliveiras. Oséias trabalhava há dois anos como auxiliar de serviços gerais em uma empresa de taxi aéreo que alugava o hangar para Borba guardar a aeronave. O rapaz nunca havia andado de avião e, segundo a família, dizia ter medo. Na tarde de anteontem, não se sabe por que, Oséias resolveu experimentar a sensação de voar.
  ‘‘Ele era um rapaz muito querido por todos, trabalhava desde os 12 anos, ajudando o pai como servente de pedreiro. Daí eu arrumei este trabalho de lavar avião para ele. A gente não sabe o que aconteceu. Alguém deve ter convidado para dar uma volta e ele foi’’, resignou-se a mãe de Oséias, Nair do Carmo Pereira Sena, que durante o velório tentava juntar forças para consolar os outros filhos. De família humilde, o jovem era o oitavo de dez filhos de Nair, que ganha a vida como cozinheira e diarista. O corpo foi velado em um pequeno templo da Igreja Assembleia de Deus, no Jardim Santa Joana (Zona Sul), a poucos metros da casa da família.

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