Em pouco mais de três meses da implantação da bilhetagem eletrônica no sistema de transporte coletivo em Londrina, cerca de 45 mil pessoas já aderiram ao novo sistema, com a confecção do Cartão Transporte (CT), das quais 25 mil são estudantes. A empresa Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) espera confeccionar cerca de 80 mil cartões gratuitos.
''É mais prático, pois eu não preciso comprar todos os créditos de uma só vez'', disse o universitário João Francisco Mugnai Neves, de 19 anos. Apesar das facilidades oferecidas pelo CT, há quem lamente a troca dos passes de papel. ''Era muito mais fácil para controlar. Antes eu dava dois passes para o meu filho ir para a escola e tudo bem. Agora, ele sai com todos os créditos no cartão'', declarou a zeladora Sônia Aparecidade Oliveira, de 34 anos. Ela lembra que no primeiro mês de uso, os créditos acabaram em 15 dias.
Segundo o gerente administrativo da TCGL, José Carlos de Lima, houve muitas reclamações no início da implantação. ''Tivemos alguns problemas pois o sistema cobrava dois créditos, além de dúvidas com relação às integrações (em que o passageiro pode diluir a viagem em várias linhas sem precisar ir ao Terminal Central)'', contou Lima. Porém, ele afirmou que a população tem se adaptado bem e que as reclamações estão diminuindo. De acordo como presidente da Companhia Municipal de Trânsito Urbanização (CMTU), Wilson Maria Sella, a venda de passes de papel deve continuar por tempo indefinido.
Mas tem gente triste com a adesão à bilhetagem eletrônica. O vendedor de passe José Barbosa Alves, de 62 anos, contou que o lucro dele caiu pela metade. ''Antes passava de um salário mínimo, mas agora não chega a isso'', revelou. Há quatro anos, ele e a esposa sustentam um filho e um neto com dinheiro da venda de passes. ''Agora não sei o que fazer. Vou ver se encontro uma chácara para cuidar'', lamentou o vendedor. Ele constatou que, após a implantação no novo sistema, mais da metade dos colegas dele deixou o serviço.
A bilhetagem eletrônica também visa diminuir a fraude no sistema que, segundo informações da CMTU, chegava a 30% equivalente a R$ 400 mil por mês. Contudo, já tem gente que conseguiu encontrar um brecha para fraudar o novo sistema. ''Um compadre meu pegou o cartão na empresa dele e passou para mim'', revelou um jovem de 26 anos. Ele usa o cartão há pouco mais de um mês e garante nunca ter tido problemas. Mesmo assim, Lima acredita que já houve uma redução no prejuízo, mas que ainda não foi contabilizada. Somente os CTs de estudantes possuem fotografias.
Os estudantes que quiserem fazer o CT devem se dirigir à Loja de Passes da Rua Quintino Bocaiuva, Área Central. Desde ontem a loja voltou a confeccionar os cartões que estavam sendo feitos, há dois meses, em uma unidade improvisada no Shopping Royal Plaza, também na Área Central.

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