A implantação da bilhetagem eletrônica é a aposta da polícia e das empresas de transporte coletivo para reduzir os assaltos em ônibus. Apesar das ocorrências terem reduzido bastante de 2002 para 2003, com queda de 65%, os números ainda são respeitáveis. Na Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL), que tem o maior número de linhas na cidade, houve praticamente um registro de assalto por dia.
Segundo levantamento interno da empresa, o número de crimes neste ano é maior que no mesmo período do ano passado. Foram 80 ocorrências neste trimestre. Contudo, segundo o gerente de tráfego da empresa, Ronaldo Coelho de Oliveira, o valor roubado é muito pequeno. ''Com relação aos anos anteriores a situação melhorou muito'', afirma.
Para os cobradores que vivem diariamente com o perigo, a redução sentida ainda está longe do ideal. Assaltado pela segunda vez há três meses, o cobrador Alexsandro Donizete, 31 anos, diz que o temor não foi menor que na primeira vez, quando chegou a ser ferido por uma faca. ''Eles chegam apavorando mesmo, gritam, xingam a gente. Depois que dei o dinheiro ainda fui revistado e perdi meu celular e as moedas que tinha no bolso'', relembra.
Logo depois de dar entrevista à Folha, Donizete foi assaltado pela terceira vez. Por telefone, no final da tarde de ontem, ele informou que estava na linha 103 quando foi ameaçado por um homem armado com uma faca. ''Ele pegou todo o dinheiro e passes e saiu andando normalmente. Graças a Deus esta é só a terceira vez que sou assaltado'', disse o cobrador.
Para coibir os assaltos, as empresas de ônibus vêm adotando medidas preventivas há algum tempo. Na TCGL, por exemplo, pelo menos 100 ônibus da frota estão equipados com um cofre. ''Isso coibiu os roubos, mas os ladrões acabaram migrando para outras linhas, esperamos que com a bilhetagem os assaltos diminuam, pois não vai haver dinheiro circulando'', afirma.
A Francovig também tem reduzido o dinheiro em caixa para coibir as ações. O valor é recolhido, segundo informações da assessoria de imprensa, ao final de cada viagem. Neste ano, a empresa não registrou nenhum assalto.
Para o subcomandante da Polícia Militar, capitão Altivir Cieslak, a tendência é que a redução de assaltos se consolide. ''Colocamos policiamento velado dentro dos ônibus e a estratégia deu certo, com a prisão em flagrante de diversos assaltantes no ano passado. Sabemos que o número zero é praticamente impossível de atingir, mas acreditamos, até por conta da implantação da bilhetagem eletrônica, que os números serão reduzidos ainda mais'', afirma.

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