Londrina - "Quem ouve música, sente a sua solidão de repente povoada." A frase é do poeta e dramaturgo Robert Browning e é do século 19, e continua mais atual do que nunca. Quem passou pelo Calçadão na hora do almoço, por volta das 12 horas, se deparou com uma apresentação da Big Band Plaenge, formada por 9 saxofones, 10 trompetes, 5 trombones, uma tuba, um clarinete e a chamada "cozinha", responsável pela base harmônica do grupo, formada por bateria, contrabaixo, guitarra e piano. Cerca de 150 pessoas acompanharam a apresentação, isso sem contar os trabalhadores das lojas e escritórios e moradores dos prédios da região. Muitos deles chegaram sozinhos, mas logo estavam unidos pela música.
No repertório da banda foram executadas músicas como "Stolen Moments", de Mark Taylor; "Feitiço da Vila", de Noel Rosa; "Na Cadência do Samba", de Ataulfo Alves; "What a Difference a Day Made", de Natalie Cole; "Can’t Buy Me Love", na versão de Michael Bublé, e "Duda no Frevo", de Senô.
Embora seja injusto tentar transmitir com palavras o som executado pelos músicos, a atmosfera gerada pela música na apresentação ao ar livre gerou várias situações curiosas. Como não notar a médica veterinária Maria Eugênia Gomes, de 55 anos, apreciando o show e acompanhando o compasso das músicas com os seus pés? Ela destacou que acompanha o trabalho do maestro Victor Gorni há muitos anos, desde o tempo em que ele ensinava música para jovens em Paranavaí. "O trabalho dele é fantástico", resumiu.
O maestro foi modesto em sua apresentação. "Com esses músicos nem precisaria de um maestro. O baterista é quem dá o ritmo e é quem conduz a banda", afirmou. Gorni chamou a atenção para o fato de que era este tipo de música executado pelas big bands que embalaram gerações até pouco tempo atrás. "Essas músicas eram tocadas até uma geração antes da minha. Será que empobrecemos?", perguntou retoricamente. Ele destaca que a mídia não tem dado muito destaque a este tipo de música, mas para canções como o "Lepo, lepo".
A julgar pelo comportamento de alguns jovens curiosos, a afirmação do maestro tem fundamento. A estudante Gabriela Rodrigues, de 15 anos, estava de passagem pelo Calçadão quando parou para apreciar a apresentação da banda. Ela afirmou que não conhecia este tipo de som. "Geralmente eu só costumo ouvir músicas sertanejas. Deveriam tocar mais esse tipo de música nas rádios. Achei muito legal. Vou pesquisar mais sobre ele na internet", declarou.
Para quem não estava familiarizado com este estilo musical, o maestro explicou como funciona a técnica do improviso no jazz. "São quatro compassos que são repetidos três vezes, resultando em 12 compassos. Neste intervalo cada instrumento pode ‘falar o que quiser’ com o público, mas respeitando uma teoria, que eles já conhecem", ensinou.
Na janela dos prédios foi possível ver moradores acompanhando o show. Eles demonstravam sua alegria com sorrisos e aplaudiam ao final de cada canção. O público diante do palco também não decepcionou. Para a consultora de vendas aposentada Neide Soriano, de 60 anos, Londrina está carente de eventos culturais deste tipo. "Este show veio em uma hora em que a cidade precisa disso, principalmente depois do incêndio do Teatro Ouro Verde", afirmou.
A contadora Rosana Ferraro, de 34 anos, afirmou que todos os anos espera esta época para acompanhar os shows no Calçadão. "Gosto muito da Big Band. Acho que este tipo de apresentação no Calçadão ajuda a popularizar a música", declarou.

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