'BICOS'garantem a sobrevivência
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terça-feira, 29 de agosto de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
O desemprego e os baixos salários levam muitos trabalhadores a desenvolverem serviços temporários autônomos, os conhecidos bicos. Sebastião Mendes e Everaldo Gonçalves são dois casos típicos. O primeiro era zelador até há quatro anos, quando resolveu abandonar a carteira de trabalho assinada para viver de pequenos consertos. A maior vantagem é o rendimento e a liberdade de horário, afirma.
Gonçalves saiu da fazenda e veio a Londrina trabalhar como ajudante de eletrotécnico há cinco anos. Com a prática, ele passou a trabalhar sozinho e hoje presta qualquer tipo de serviço elétrico. Por causa da concorrência, já ficou até um mês sem trabalho. Tem pessoas que cobram muito barato, mas não têm qualidade. É ela que faz a diferença e garante espaço no mercado.
A flexibilidade de horário também obriga o profissional informal a abrir mão de finais de semana e feriados, uma exigência que têm que encarar para evitar os gatos. Segundo Mendes, gato é o intermediário que não garante o pagamento e nem a qualidade do serviço ao cliente. No começo da carreira tive muito prejuízo com os gatos. Hoje não caio mais nessa.
Sebastião e Everaldo não têm curso de aperfeiçoamento, mas Gonçalves disse que tem vontade de voltar a estudar. Ele quer fazer um curso de eletrotécnica para poder instalar e consertar quadros de energia e assim aumentar a renda mensal. Apesar da vontade, diz que falta tempo e, às vezes, dinheiro. Conforme cálculos superficiais de ambos, um profissional da área ganha entre R$ 280 e R$ 600 por mês.


