Biclicletas para desafogar as ruas de Curitiba
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segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Thiago Alonso<br>Equipe da Folha 
Um carro estacionado em uma vaga na rua ocupa um espaço em torno de 40 metros quadrados. Por que não usar esse espaço para outros fins, como a criação de ciclofaixas? A indagação é o principal ponto do projeto "Vaga Viva", que aconteceu ontem na Praça Santos Andrade, no Centro.
Organizado pelo grupo da Bicicletada, movimento que defende o uso da bicicleta como uma alternativa ao domínio dos espaços de trânsito pelos veículos, a ação ocupou ontem duas vagas destinadas a carros para fazer o protesto. O grupo colocou plantas, placas e bicicletas no lugar onde provavelmente ficariam carros estacionados.
A movimentação faz parte da Semana Nacional de Trânsito, que acontece até o próximo dia 25 de setembro. Dentro dos eventos da semana, o dia de ontem foi considerado o "Dia sem carro". Além do "Vaga Viva", que visa incentivar o uso da bicicleta como meio de transporte, um debate tendo os candidatos à prefeitura de Curitiba como convidados foi realizado ontem, às 14 horas, para discutir formas de estimular o uso da bicicleta e de como inseri-las nos programas de transporte público da cidade. Completou a programação do evento uma marcha de bicicletas, que saiu às 18 horas da Reitoria da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para percorrer a cidade.
Participantes da Bicicletada defendem a extinção da maioria das vagas de estacionamento do Centro de Curitiba. "Há um mau uso dos espaços públicos. Por que o proprietário de um carro privado tem o direito de ocupar este espaço que é público e que poderia ser usado para outras coisas?", pergunta Goura Mataraj, um dos participantes do movimento. Segundo ele, ocupar vagas de estacionamento de carros com bicicletas, placas, vasos e outros objetos foi a forma encontrada para estimular a reflexão da população.
Outro participante da ação, Marcelo Gornisky, diz que a intenção é integrar o ciclista à rotina das vias, hoje dominadas pelos carros. Na opinião dele, as pessoas têm receio de utilizar a bicicleta, pricipalmente por causa da falta de segurança no trâsito. "Os motoristas só enxergam sinais e outros motoristas. Não sabem que ciclista também tem direito. Ser ciclista hoje em dia é viver no quase: quaser levar uma fechada, quase ser jogado para fora da via, quase ser atropelado...", diz ele, que desde de janeiro deste ano adotou a bicicleta como único meio de transporte. Gornisky diz pedalar 250 km por semana. Depois que abadonou o carro, foi atropelado duas vezes.
Hoje, Curitiba tem um sistema viário de 4.737 quilômetros. A extensão ocupa 23% da área da cidade. Segundo números do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), a frota de meios de transporte registrada em 2006 era composta de 82,9% de automóveis, 9,7% de motocicletas, 3,9% de caminhões, 0,5% de ônibus e 0,3% de microônibus.
Enquanto o número de automóveis é maioria absoluta, os carros carregam apenas 22% da população, enquanto, 45% das pessoas se locomovem de ônibus. As bicicletas correspondem a 5% desse total. A cidade tem um automóvel para cada 1,8 habitante.
O uso da bicicleta é uma das soluções para problemas de trânsito defendida pelo Ippuc. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, há um projeto de 7 km de ciclovias para o Centro de Curitiba. Além disso, depois do fim das obras da Linha Verde, pretende-se transformar o canteiro central da Visconde de Guarapuava em ciclovia. Há também a previsão de implantação de estacionamentos de bicicleta na cidade, permitindo que as pessoas tenham onde deixar o meio de transporte com segurança.
Devido ao número de pessoas que o ônibus transporta, o Ippuc defende também a melhoria do transporte coletivo da cidade como forma de desafogar os problemas do trânsito. Uma das soluções que está sendo implantada é o desalinhamento das estações-tubo, o que vai permitir aos ônibus se ultrapassarem. O desalinhamento, previsto para linha norte-sul, vai permitir que a velocidade de deslocamento de um ônibus suba dos atuais 16 km/h para 23 km/h. Segundo o Ippuc, isso representa mais pessoas sendo transportadas em menos tempo, além de uma economia de R$ 1,5 milhão de litros de óleo diesel por ano.


