Usar a bicicleta como transporte é saudável e econômico. No entanto, pode ser também muito arriscado. Sem espaço definido, os ciclistas desafiam o trânsito complicado em muitos pontos de Londrina. A Avenida Celso Garcia Cid, no Centro da cidade, é um exemplo disso. Para não somarem hematomas, eles precisam ficar atentos e não levar a pior entre carros e motociclistas. Só em novembro deste ano, dos 20 casos de acidentes que envolveram bicicletas, 18 contabilizaram vítimas sendo uma fatal, segundo dados da Companhia Municipal de Trânsito. Na busca por um espaço mais seguro para andar, por vezes, os ciclistas acabam invadindo as calçadas onde em vez de vítimas, se tornam ameaças para os pedestres.
Mesmo tendo sido vítima de um acidente de trânsito no ano passado, que o deixou hospitalizado por dois dias com ferimentos na cabeça e em um braço, Lair Silva, 56 anos, continua andando de bicicleta. Segundo ele, uma motocicleta teria desviado de um carro, derrubando-o da bicicleta. Desde então, Silva mudou a rota: ''Fiquei com medo dos carros desde o acidente. Agora só ando na calçada'', afirma.
Ele ressalta que empurra a bicicleta quando a calçada está com pedestres, caso contrário, aproveita e sai pedalando. Enquanto tenta resolver os problemas da aposentadoria enrolada, faz pequenos bicos e se locomove só de bicicleta. Ele conta que usa a Avenida Garcia Cid pela manhã e à tarde para buscar o sustento.
Mais triste do que o susto pelo qual Silva passou foi o acidente sofrido pelo cunhado dele, também envolvendo uma bicicleta. ''Meu cunhado foi arrastado por mais de 60 metros. Uma mulher o atropelou. Ele foi jogado contra o pára-brisas mas a motorista não conseguia párar'', lembra. O resultado foi que o cunhado teve vários ferimentos e acabou ficando em uma cadeira de rodas por três anos, até morrer. O caso aconteceu há mais de seis anos.
Outro ciclista, o aposentado Damião Aureliano da Silva, 60 anos, confessa que ''usa a calçada para escapar dos carros''. Ele argumenta que já foi fechado por um ônibus e que optou pela calçada para não ter que pedalar no meio da rua. Ele conta que a bicicleta é a solução de transporte já que não é todo dia que tem dinheiro para andar de coletivo. Silva acredita que a cidade deveria ter um espaço exclusivo para que os ciclistas pudessem andar com segurança.
Andréia Genoíno, 24 anos, agente de combate à dengue e que também usa a bicicleta, lembra que já foi fechada por carros e quase bateu. Ela diz que a única proteção do ciclista é a atenção: ''Nós precisamos andar como se fôssemos motos''.

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