"Eu já venho de bicicleta, acho a ideia bacana, mas precisa melhorar muita coisa", afirma o estudante Lucas Marques
"Eu já venho de bicicleta, acho a ideia bacana, mas precisa melhorar muita coisa", afirma o estudante Lucas Marques | Foto: Marcos Zanutto



Pegar uma bicicleta em um ponto, usá-la e devolvê-la em outro local. Essa já é uma realidade em diversas cidades do País e do exterior. Agora, um mestrando de engenharia civil da UEL (Universidade Estadual de Londrina) estuda a viabilidade do sistema dentro do campus, utilizando o método do projeto conceitual, que visa incluir a participação da comunidade.

Com experiência de estágio de um ano e meio na Austrália, Vitor Hugo Gomes viu esse tipo de pesquisa sendo aplicada com a população. Em sua dissertação de mestrado, discute com a comunidade universitária a possibilidade da implantação de bicicletas compartilhadas. "Nós realizamos um estudo no ano passado e vimos que grande parte é favorável ao uso de bicicletas para locomoção interna, então vimos isso como oportunidade", afirma o mestrando.

O orientador professor Carlos Prado afirma que essa é uma forma de testar ferramentas de consulta à população antes de implantar o projeto de fato. "Hoje nós vemos a quantidade de processos feitos na cidade e a população não é consultada. Essa é uma forma de testar as ferramentas e captar a opinião", defende Prado, que já aplicou pesquisa para descobrir que aproximadamente 100 mil viagens são realizadas dentro do campus ao longo da semana.

O projeto visa a instalação de 16 estações com 335 bicicletas disponíveis e 405 lugares para a armazenagem. O desbloqueio automatizado seria alimentado por energia solar e por meio da carteirinha do estudante, que poderá utilizar o sistema, sem custo, por 30 minutos. Após o tempo determinado, seriam cobrados R$ 5 pela meia hora adicional. O orçamento calculado é de R$ 1,3 milhão e o custo operacional anual de R$ 150 mil. A proposta é que o sistema seja oferecido por meio da parceria público privada.

A Proplan (Pró-Reitoria de Planejamento) ofereceu apoio à pesquisa e a Prograd (Pró-Reitoria de Graduação) incluiu o link com o questionário no Portal do Estudante. Segundo Gilson Jacob Bergochi, diretor de planejamento e desenvolvimento físico da UEL, o estudo ajuda a prever possibilidades de melhorar a mobilidade e acessibilidade no campus, no entanto, acredita que a implantação esbarra em outros fatores. "No momento, com a falta de recursos que a universidade está passando, se não houver algum tipo de financiamento externo, não vejo a possibilidade de implantação", afirma. Ao mesmo tempo, ele apoia a pesquisa para compreender a possível demanda e, a partir de então, buscar as formas legais de aplicá-lo.

CICLOFAIXAS
A UEL já tem aplicado formas de estimular a mobilidade urbana por meio das bicicletas. As vias internas recapeadas já estão recebendo as ciclofaixas. "Acredito que seja apenas o primeiro trecho aplicado, é uma demanda que já existia há bastante tempo e como já fizemos o recape asfáltico, o prefeito do campus solicitou que a pintura contemplasse as ciclofaixas", conta Rafael Cezar Fujita, diretor de projeto e obras de manutenção do campus.

As ciclofaixas estão sendo implantadas desde a entrada da avenida Castelo Branco, passando pela avenida das Palmeiras e pelas as ruas que seguem para o CCB (Centro de Ciências Biológicas).

SERVIÇO
- Quem quiser participar da pesquisa pode responder o questionário no https://sites.google.com/view/projetosconceituais/p%C3%A1gina-inicial

40% dos alunos de graduação usam transporte público
De acordo com pesquisa realizada e orientada pelo professor do Departamento de Construção Civil, do CTU (Centro de Tecnologia e Urbanismo), Carlos Prado, 40% dos alunos de graduação da UEL utilizam o transporte público para chegar até o campus. Dos dois mil alunos entrevistados, apenas 2,1% utilizam a bicicleta.

A nova pesquisa, que inclui o projeto de bicicletas compartilhadas, dá continuidade ao promover a consulta pública para a compreensão do que pode ou não estar errado em relação à locomoção interna. "Não é encontrar culpados, mas como resolver. Se todo mundo diz que faz o trajeto interno caminhando, por que não melhorar a calçada?", explica o professor.

Alguns alunos defendem que o sistema de bicicletas compartilhadas geraria estímulo ao uso do transporte, já que muitos precisam se deslocar entre centros para participar das aulas. "Tem muita gente que estuda nos polos, eu mesma, às vezes preciso resolver problemas na Prograd (Pró-Reitoria de Graduação) e fica longe, leva tempo", afirma Isabela Ribeiro de Oliveira, 19, estudante de física.

"Eu já venho de bicicleta, acho a ideia bacana, mas precisa melhorar muita coisa, como colocar ciclofaixas, aumentar o número de paraciclos, além de melhorar algumas rampas que às vezes ficam congestionadas", afirma Lucas Marques, 26. O estudante de geografia utiliza a bicicleta para se locomover dentro e fora do campus e acredita que a ideia é interessante, mas que, ao mesmo tempo, a universidade passa por momentos críticos e possui outras demandas mais importantes.

Para a estudante de veterinária Camila Oliveira, 18, o sistema estimularia o uso da bicicleta e que mesmo tendo um custo alto, tem contribuição maior que só a locomoção. "É um meio necessário, contribui em muitas formas, até como exercício físico", defende. Quanto à participação da comunidade em projetos, defende que as pessoas deveriam se interessar mais.

Embora a pesquisa seja uma ideia de solução em mobilidade e que deve passar ainda por muitos processos para ser implantada, o debate gera a participação e é saudável para que se discutam novas soluções. Pensando nisso, o mestrando Vitor Hugo Gomes pretende dar continuidade à pesquisa em uma proposta de doutorado. "A gente procura para futuros estudos, ampliar a amostra, não trabalhar só com universitários. Nós estamos testando se a pesquisa tem potencial e quais as limitações." (L.T.)

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