Bichos saem do mato e assustam moradores
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segunda-feira, 07 de março de 2005
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
O aparecimento de animais peçonhentos e insetos próximos a terrenos baldios está assustando moradores de alguns bairros de Londrina. O aumento da temperatura e das pancadas de chuva fazem o mato crescer rápido e os terrenos tornam-se abrigo para cobras, taturanas e aranhas. ''Aqui em casa sempre aparece umas aranhas muito grandes e até cobras'', conta a vendedora Daniele Ferreira de Oliveira, moradora do Jardim São Lourenço, na Zona Sul da cidade.
A vendedora mora com o avô, Joaquim Guimarães. ''Ele sempre limpa o terreno que fica do lado de casa. Já encontrou até seringa lá'', diz Daniele. A jovem recorda que, uma noite, todos estavam assistindo televisão na sala quando uma pessoa que estava passando na rua gritou para eles não abrirem a porta, porque tinha uma cobra na garagem. ''Aí meu avô saiu pelo fundo e matou.'' Daniele conta que o avô sempre pede a limpeza do terreno à Prefeitura e que a capina deveria ser mais frequente.
O problema não se resume ao Jardim São Lourenço. Em vários pontos da cidade é possível encontrar mato e, consequentemente, os bichos. ''Nunca entrou nada na minha casa, mas na rua a gente vive matanto cobra'', afirma a dona de casa Teresa de Lima, que mora no Conjunto José Bonifácio e Lima, na Zona Leste. O vizinho dela, Valter da Silva, informou que além das cobras e aranhas, muitos ratos estão aparecendo na região. ''O pior é que aqui na rua tem várias crianças que brincam por aí'', alerta Silva.
No Bairro Aeroporto, na Zona Leste, a indignação dos moradores é ainda pior. A costureira Maria Dutra guardou em um vidro dois filhotes de cobra jararaca que ela encontrou em casa. ''A prefeitura veio roçar os terrenos no começo de fevereiro, mas não tirou o entulho do local'', conta Maria. Ele relata que dois dias após a capina do terreno um filhote de cobra apareceu em sua garagem. ''Nós só vimos a hora que minha filha estava saindo para viajar.''
O medo da costureira é que até ontem outros três filhotes foram encontrados pelas ruas. ''Provavelmente os pais destas cobras devem estar escondidos neste terrreno, embaixo dos entulhos e do mato que não foi recolhido'', acredita Maria. Outros bichos como aranhas também aparecem no bairro, mas como são menores, a costureira mata e joga fora logo. Três dos terrenos que ficam próximos a casa de Maria pertencem a Prefeitura.
O diretor de Operações da Companhia Municipal de Trânsito Urbanização (CMTU), João Verçosa, explica que no caso dos lotes públicos a empresa Visatec é responsável pela limpeza. ''Pelo contrato eles deveriam roçar os locais uma vez por mês, porém como a empresa não cobre toda a cidade, algumas vezes a deslocamos para locais críticos, o que prejudica o trabalho rotineiro'', declara o diretor.
Verçosa diz que está sendo feito um levantamento das áreas críticas que não são atendidas pela Visatec e cogita a possibilidade de contratar outra empresa. No caso dos terrenos particulares, o diretor explica que o responsável deve ser o proprietário, porém, se o mato ultrapassar 40 centímetros de altura outras duas empresas de Curitiba fazem a capina e depois enviam a conta para o dono do terreno.


