Logo que a reportagem chegou ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), em Tijucas do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), uma imagem ao mesmo tempo impressionante e triste chama atenção. Uma enorme quantidade de bichos, todos com algum tipo de sequela, estão no local. É bugio com pelo raspado, tucanos com lesões nos bicos, sabiá com a pata mutilada, papagaios verdes com problemas respiratórios e periquitos com lesões na cabeça.
Estes são apenas alguns dos mais de 900 animais silvestres que precisam de tratamento antes de retornar à natureza ou serem encaminhados para zoológicos ou criadouros legalizados. Todos são ''pacientes'' do Cetas, mantido pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), que possui uma parceria com o Ibama, para receber animais apreendidos em todo o Estado, além de também tratar de bichos silvestres levados voluntariamente.
Quando chegam ao local, os bichos são recepcionados e cadastrados pela pequena equipe do Cetas (três no total). Em seguida passam por exames clínicos e depois são internados. O local, entretanto, está chegando na sua capacidade máxima (para mil animais). A estrutura básica abrange os recintos para os bichos (14 fechados e 8 a céu aberto), um laboratório e um ambulatório para diagnósticos clínicos e cirurgias de emergência.
De acordo com a médica veterinária Grazielle Soresini, coordenadora do Cetas, o espaço é pequeno para a quantidade de animais apreendidos. Além disso, destaca, o tempo de recuperação de cada bicho varia muito. Alguns melhoram mais rapidamente, enquanto outros precisam passar por quarentena antes de seguirem para outras instituições ou serem soltos na natureza.
O Cetas funciona desde 1999 e já atendeu 20.592 animais silvestres. ''Outros Estados possuem mais de um centro de triagem, o que acaba ajudando porque não acontece a lotação. É preciso criar mais centros no Estado que atendam com qualidade todos esses animais'', disse Grazielle.
Segundo a coordenadora, 80% dos animais no Cetas são aves: araras-azuis, papagaios, sabiás, coleirinhos, filhotes de coruja suindara, tucanos, pintassilgos. O que mais preocupa, segundo ela, é que na grande maioria dos casos os criminosos chegam a mutilar os pássaros. ''Geralmente o suspeito possui uma anilha que identifica uma ave legalizada junto ao Ibama. Entretanto, quando esta ave morre, ele acaba utilizando essa anilha em outro pássaro. Para isso, ele acaba fazendo coisas cruéis para conseguir colocar esse anel na pata do animal.''
Outros animais também chegaram recentemente em condições precárias, como um filhote de onça-parda apreendido em Porto Amazonas (Campos Gerais) e um bugio recolhido em Cornélio Procópio (Norte Pioneiro). Grazielle acredita que a fiscalização cresceu no Estado, entretanto, ressalta que os criminosos não são punidos com rigor. ''A lei é branda. Quem se envolve com isto muitas vezes não deixa de traficar animais porque a punição é muito pequena.'' (R.C.J.)

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