Bicho também tem direitos
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segunda-feira, 02 de abril de 2007
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
É direito deles: bichos de estimação devem ser bem cuidados, alimentados, medicados e ter espaço para crescer e se desenvolver. Isso deve acontecer em residências e também em lojas que os comercializam. ''Está na Declaração Universal dos Direitos dos Animais, datada de 1978, editada pela Unesco'', ressalta o voluntário da ONG SOS Vida Animal, Getúlio Picolo.
Em Londrina, não se sabe exatamamente quantos estabelecimentos vendem cães, gatos ou aves, até porque não há qualquer exigência específica para esse tipo de comércio. ''Se houver atendimento ou internamento de animais, aí sim há exigências e fiscalização da vigilância sanitária. É necessário até que a clínica veterinária se instale em regiões permitidas conforme o zoneamento urbano'', explica o técnico em gestão pública, da Secretaria Municipal de Fazenda, Olavo de Azevedo Neto.
Com tanta oferta, é difícil verificar se os direitos dos animais estão sendo cumpridos no município. Picolo afirma receber, por mês, uma média de 50 denúncia de maus tratos a animais em Londrina. ''De lojas são bem menos, a maioria é de particular. Mas mesmo assim costumamos visitar esses estabelecimentos que vendem bichos''. Um deles, que o voluntário foi chamado a verificar, fica na Zona Norte. Se trata de mercearia, onde a venda de galinhas tem chamado a atenção de defensores dos animais. Elas ficam presas em viveiros sobrepostos e sem cobertura. O espaço parece exíguo para tantos animais.
''Elas estão bem. Trato direito, a noite eu solto em outro lugar para poderem andar. E em relação a estarem na calçada, deixo água lá o dia todo e não bate sol direto'', contrapõe o proprietário do estabelecimento, Osmar Moura. Ele completa que os animais - patos e galinhas - são vendidos para abate e não ficam mais de dois dias no viveiro.
Observando o caso, o fiscal do SOS Vida Animal afirma que é preciso que o dono da mercearia coloque menos animais por viveiro e evite o sol excessivo. ''Por lei, cada animal pode ficar até 12 horas preso em exposição, em gaiolas, e deve ter espaço para se locomover. Então, nesse caso, é preciso que ele realmente solte essas galinhas à noite para que possam andar. De qualquer forma, devo voltar aqui para orientá-lo''. Ele lembra que, também conforme legislação vigente no País, os animais são tutelados pelo Estado, portanto em caso de maus tratos, é dever dos governos ampará-los.
Na Região Central de Londrina, uma clínica veterinária e também ponto de venda de animais chama a atenção pela quantidade de cachorros, de espécies variadas. São mais de 30 animais à venda, sem contar as aves - de periquitos a patos. Os filhotes ficam em viveiros particulares. Em alguns casos, são dois por gaiola. ''Eles ficam com veterinário 24 horas, uma pessoa para verificar água, limpar o viveiro, dar ração. Além disso, se revezam ao longo do dia nos três canis que temos aqui, para poderem ter mais espaço. A noite soltamos todos em um espaço maior, na sobreloja, separando-os pela idade'', esclarece a proprietária da loja, Rosângela Rocha.
Neste caso, Picolo analisa que a postura do estabelecimento é mais adequada, mesmo com a grande quantidade de animais em exposição. ''Há alguns cachorros sem água, mas a justificativa é que eles, depois de satisfeitos, fazem bagunça. Este é um comportamento natural e a dona da loja disse que a moça responsável controla essa água, servindo-a de tempos em tempos, então está tudo certo''. Ele observa que o rodízio de animais nos canis, maiores e mais espaçosos, também é positiva.


