Bicho dá pouco dinheiro mas é a paixão nacional
Uma das contravenções mais antigas, que resiste às técnicas modernas de aposta, o jogo-do-bicho foi proibido no País em julho de 1961 pelo então presidente Jânio Quadros. Mas nunca deixou de fazer parte da rotina dos brasileiros.
Só na época do governador Requião (Roberto Requião, hoje senador) a polícia perseguiu os cambistas. Uma vez quase nos pegaram, lembra o comerciante J.T.S., dono de uma banca de revistas. Ele faz apostas de clientes há cerca de 20 anos e já tem os jogadores cativos. Tem gente que joga todos os dias, diz.
J.T.S. afirma que à medida que a crise econômica se intensifica, aumenta o movimento de apostadores. Até uns seis meses atrás, fazíamos a metade das apostas que fazemos hoje. Ultimamente melhorou, conta, revelando que o bicho rende para ele uma comissão de aproximadamente R$ 800,00 por mês. A queda no movimento também acontece, segundo o comerciante, sempre que a Caixa Econômica Federal coloca uma nova modalidade de jogo no mercado. Foi assim, diz ele, na época do lançamento da Lotomania, em novembro no ano passado.
Segundo um dos sete cambistas que administram o jogo-do-bicho em Londrina através de uma espécie de cooperativa informal, o jogo rende uma média de R$ 7 mil por dia, divididos nos dois sorteios diários. A participação do bicheiro nos lucros depende do número de vendedores que mantém na rua.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina, Gilson Garret, admite que não tem sido possível fazer uma fiscalização cerrada nas bancas de jogo-do-bicho. Estamos elegendo prioridades, mas se aparecer na minha frente, vou ser obrigado a prender o responsável. Infelizmente, é algo que não vai acabar nunca. O brasileiro gosta de jogar. (S.L.)





