Bibliotecas escolares tentam atrair alunos
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quinta-feira, 26 de março de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Uma sala apertada, desconfortável e quente, destino dos alunos indisciplinados punidos. Esta é a pior definição possível para uma biblioteca escolar. Hoje, as direções buscam fugir dessa armadilha e transformar os locais que não podem ser meros depósitos de livros em áreas agradáveis. Um refúgio, que seja espontaneamente procurado pelos estudantes.
Uma forma de atrair as crianças e jovens para perto das letras é ter um acervo atualizado e selecionado. As obras em voga, como os best sellers, são uma alternativa para incentivar o hábito da leitura entre os alunos. A medida, porém, requer cuidado.
Este é o alerta da bibliotecária Aparecida Lourenço Rodrigues, responsável pelo acervo da Escola Estadual Paulo Freire, no Jardim Piza (Zona Sul de Londrina). Temos uma grande procura por best sellers. Para incentivar o hábito da leitura, acho válido. Até porque os alunos têm acesso a informações sobre essas obras pela internet ou pelo cinema, aponta.
No entanto, a profissional alerta que o trabalho precisa focar também a orientação sobre pesquisas, desde a indicação de bibliografia até a busca de informações na internet. O acesso à rede é feito no laboratório de informática na sala vizinha.
A coleção de mais de três mil títulos é formada por obras recebidas diretamente do governo e compradas pela própria escola. Um dos livros mais requisitados é As Crônicas de Nárnia, escrita pelo irlandês Clive Staples Lewis. Outros campeões de bilheteria são as histórias em quadrinhos, como Mafalda, do argentino Quino. Até lista de espera é necessária para controlar o acesso dos estudantes às obras prediletas.
E não é difícil comprovar que os gibis encabeçam a lista dos mais requisitados, tanto nas escolas estaduais quanto nas municipais. Albernan Almeida do Vale e Claudecir Rodrigues do Prado Júnior, ambos com 11 anos e na sexta série, não escondem a predileção pelas histórias em quadrinhos. É mais fácil de entender, justifica Claudecir Júnior.
Uma forma apontada pelos especialistas para trazer os estudantes para a biblioteca pe manter um acervo atrativo combinado com um ambiente agradável. A qualidade do espaço é, com certeza, um dos pontos fortes da biblioteca da Paulo Freire. A presença da bibliotecária é outro diferencial, uma vez que o acompanhamento é mais próximo.
Em comum, as escolas estaduais têm o projeto Hora do Conto, tempo reservado para que o professor leia histórias para os alunos. E assim desperte o interesse em obras mais aprofundadas. Agora estou lendo um livro sobre meio ambiente, revela a aluna Flávia Vasconcelos, 11, também da sexta série.


