Dizem que uma palavra de conforto é capaz de levantar qualquer astral. Imagine, então, milhares de palavras. Com isso em mente, o Instituto do Câncer de Londrina (ICL) inaugurou ontem uma biblioteca aberta a pacientes, acompanhantes e funcionários - gente que necessita de injeções diárias de ânimo.
A biblioteca já ''nasceu'' com 400 livros, entre obras de ficção, religião e auto-ajuda. É fruto da iniciativa e da boa vontade de um casal de voluntários que não apenas apresentou a idéia ao hospital, como adquiriu o acervo e até o mobiliário. ''Meu pai já esteve internado aqui e, quando eu o acompanhava, sempre trazia meus livros. Enquanto isso eu percebia que outras pessoas, principalmente de outras cidades, não tinham nada para passar o tempo'', lembrou Malene Zanuto Ribeiro e Silva, responsável pela montagem da biblioteca junto com o ''marido-sócio'' Carlos Alberto Souza e Silva.
Apaixonada por livros e criadora de bibliotecas em outras entidades, Malene conversou com o diretor-presidente do ICL, Nelson Dequêch, que aprovou prontamente a iniciativa. ''Era uma lacuna que tínhamos no hospital. O melhor é que, além de manter esse espaço, esses 'benditos semeadores de livros' vão até os quartos para contar histórias às crianças'', comemorou Dequêch. Além do casal Souza e Silva, cinco voluntários irão cuidar da biblioteca e suas atividades.
Marilene dos Santos Prestes, mãe de um paciente de 14 anos, deu sorte. Ontem mesmo, no primeiro dia de internação do filho, ficou sabendo da inauguração da biblioteca e apanhou dois exemplares: para o garoto, ''O anjo e o menino'', uma obra de ficção; para ela, escolheu ''Para o dia nascer feliz'', não por acaso um livro de auto-ajuda. ''Quem está aqui precisa de palavras de incentivo. E para mim, que gosto bastante de ler, foi maravilhoso'', elogiou.
O acervo inicial foi doado por editoras contatadas por Malene. Agora, os voluntários contam com a comunidade para ampliar o leque de opções dos leitores. ''Só pedimos que os livros não sejam muito velhos, por uma questão de saúde. Tratando-se de um ambiente hospitalar, precisamos evitar ácaros e bactérias'', frisou Carlos Alberto.
Outro requisito importante: que os livros tragam conteúdo positivo. ''Queremos dar conforto às pessoas que estão vivendo um momento difícil. Não seriam adequados livros sobre tragédias, guerras, fim do mundo'', observou Malene. ''Nós sabemos o estado em que fica o paciente, e também o acompanhante, que vem para cá. Um livro pode aliviar esse sofrimento'', completou o diretor-presidente.
A biblioteca também está disponível para funcionários e permite que os livros sejam levados, desde que o leitor esteja cadastrado. Ela está funcionando numa pequena sala, no 4º andar do ICL, mas Dequêch já adiantou que o local é provisório. Além de expandir o espaço e o acervo, Malene ressaltou que tem planos de informatizar a biblioteca. A ajuda da comunidade, claro, será muito bem-vinda.

Serviço: Interessados em doar livros para a biblioteca podem entrar em contato com os voluntários pelo telefone 3343-3300. O ICL fica na Rua Lucília Ballalai, 212, Centro.

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