Simone GirotoMuito ocupadoO lavrador aposentado João de Deus de Oliveira: até 10 livros por mês, literatura policial e ficção científicaCAMPO MOURÃO - Um programa desenvolvido há quatro anos pela Biblioteca Pública Municipal de Campo Mourão está garantindo acesso ao acervo de 17 mil livros a internos do asilo, do Lar do Menor e até mesmo a presos da cadeia local. Batizado de Leia Mais, o programa foi responsável, somente no ano passado, pelo empréstimo de 4.170 livros. ‘‘O objetivo é democratizar e ampliar o acesso à biblioteca pelo sistema de mala direta’’, explica a diretora Elza Moraes.
O programa também atende empresas interessadas em incentivar a leitura de seus funcionários. E não custa nada. Para participar, a instituição ou empresa só precisa assinar um convênio pelo qual se compromete a cuidar dos livros, distribuí-los, verificar o número de leitores por título e recolher as obras para a troca mensal. Outra exigência: os conveniados devem ter um mínimo de 30 pessoas. Daí, têm o direito de receber 60 títulos por mês.
Um dos mais empolgados com o programa é o lavrador aposentado João de Deus de Oliveira, 60, interno do Lar dos Velhinhos Frederico Ozanan. Ele chega a ler 10 livros por mês. ‘‘Passo o dia lendo’’, conta. Para conversar com a Folha, ele teve que interromper a leitura de ‘‘O espião Cícero’’, de Elyesa Bazna. Também já havia reservado ‘‘A Concubina’’, de Michale Easy. Ele confessa, porém, que não lia antes de estar no asilo. ‘‘Não tinha tempo’’.
Oliveira é um dos orgulhos do Leia Mais. Ele não chegou a frequentar a escola normal e mal aprendeu a ler através do antigo Madureza - uma espécie de supletivo - quando ainda morava em Porto Alegre.
A preferência dele é por obras de ficção científica e literatura policial. Entre os livros preferidos está ‘‘Eram os Deus Astronautas’’. O Programa beneficia também internos do Lar do Menor Dom Bosco e este ano deve voltar aos detentos da 16ª Subdivisão Policial.
RomancesO Leia Mais atendeu os presos até 95, mas foi suspenso no ano passado a pedido da delegacia. ‘‘Estamos negociando o retorno’’, avisa Elza. Segundo ela, os detentos gostavam de ler sobre anarquismo, nazismo, guerras e artesanato. No geral, a preferência é pelos romances, seguida dos livros técnicos. Os temas místicos ficam em terceiro lugar. Além do asilo e do lar do menor, este ano já renovaram o convênio outras três instituições e três empresas da cidade.

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