Biblioteca leva livros a asilo e cadeia
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segunda-feira, 03 de março de 1997
Sid Sauer Correspondente 
Simone GirotoMuito ocupadoO lavrador aposentado João de Deus de Oliveira: até 10 livros por mês, literatura policial e ficção científicaCAMPO MOURÃO - Um programa desenvolvido há quatro anos pela Biblioteca Pública Municipal de Campo Mourão está garantindo acesso ao acervo de 17 mil livros a internos do asilo, do Lar do Menor e até mesmo a presos da cadeia local. Batizado de Leia Mais, o programa foi responsável, somente no ano passado, pelo empréstimo de 4.170 livros. O objetivo é democratizar e ampliar o acesso à biblioteca pelo sistema de mala direta, explica a diretora Elza Moraes.
O programa também atende empresas interessadas em incentivar a leitura de seus funcionários. E não custa nada. Para participar, a instituição ou empresa só precisa assinar um convênio pelo qual se compromete a cuidar dos livros, distribuí-los, verificar o número de leitores por título e recolher as obras para a troca mensal. Outra exigência: os conveniados devem ter um mínimo de 30 pessoas. Daí, têm o direito de receber 60 títulos por mês.
Um dos mais empolgados com o programa é o lavrador aposentado João de Deus de Oliveira, 60, interno do Lar dos Velhinhos Frederico Ozanan. Ele chega a ler 10 livros por mês. Passo o dia lendo, conta. Para conversar com a Folha, ele teve que interromper a leitura de O espião Cícero, de Elyesa Bazna. Também já havia reservado A Concubina, de Michale Easy. Ele confessa, porém, que não lia antes de estar no asilo. Não tinha tempo.
Oliveira é um dos orgulhos do Leia Mais. Ele não chegou a frequentar a escola normal e mal aprendeu a ler através do antigo Madureza - uma espécie de supletivo - quando ainda morava em Porto Alegre.
A preferência dele é por obras de ficção científica e literatura policial. Entre os livros preferidos está Eram os Deus Astronautas. O Programa beneficia também internos do Lar do Menor Dom Bosco e este ano deve voltar aos detentos da 16ª Subdivisão Policial.
RomancesO Leia Mais atendeu os presos até 95, mas foi suspenso no ano passado a pedido da delegacia. Estamos negociando o retorno, avisa Elza. Segundo ela, os detentos gostavam de ler sobre anarquismo, nazismo, guerras e artesanato. No geral, a preferência é pelos romances, seguida dos livros técnicos. Os temas místicos ficam em terceiro lugar. Além do asilo e do lar do menor, este ano já renovaram o convênio outras três instituições e três empresas da cidade.


