Biblioteca Infantil em condições precárias
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quarta-feira, 03 de outubro de 2012
Aline Vilalva <br> Reportagem Local 
''Um país se faz com homens e livros.'' A frase célebre do escritor Monteiro Lobato é uma demonstração da importância do hábito da leitura para a construção de uma nação. E esse hábito só se consolida quando o gosto pelos livros começa cedo. Para isso, uma biblioteca com um acervo de qualidade voltado aos pequenos é peça importante qualquer cidade.
Em Londrina, no entanto, as condições do prédio que abriga o acervo infantil da Biblioteca Pública Municipal deixam a desejar. Desde o acesso até o espaço interno não são atrativos para fomentar o costume de ler entre as crianças.
A reportagem da FOLHA esteve recentemente no local e constatou que a primeira barreira já pode ser observada na entrada da unidade, uma vez que o portão está permanentemente fechado. Por isso, os frequentadores precisam passar pelo acervo geral antes de chegar à Biblioteca Infantil propriamente dita.
Este não é o único infortúnio que os pequenos leitores enfrentam. O espaço das salas é limitado, com poucas mesas e cadeiras, e falta ventilação adequada. Também não há cores que deem uma nova vida ao ambiente.
Segundo a bibiotecária Leda Araújo, devido à falta de espaço, quando a demanda é intensa, os pequenos leitores são obrigados a usar o pátio interno. E de acordo com a diretora da unidade, Rosangela Rocha Melo, quando está ventando ou chovendo, é necessário acomodar as crianças nos espaços destinados aos adultos.
Rosangela explica que o acesso à unidade infantil é feito pela entrada principal da biblioteca por causa da falta de um segurança. ''Fechamos o portão porque precisaríamos de uma pessoa o tempo todo lá, visto que estamos em uma área central, que tem muito movimento, e precisamos cuidar da segurança das crianças'', justifica. Atualmente, a unidade conta com apenas dois seguranças que trabalham em dias alternados percorrendo todo o prédio. O ideal, segundo a diretora, seria contar com um vigilante para a Biblioteca Municipal e outro para o setor infantil.
O espaço destinado às crianças tem uma sala de literatura, com obras infantis e infantojuvenis, uma sala de pesquisa, uma gibilândia e a recepção, que tem três computadores para acesso à internet - mas apenas dois estão funcionando, de acordo com Leda.
Para otimizar os espaços, há intenção de se criar uma sala de literatura infantil, aproveitando o local que é utilizado para a realização de trabalhos técnicos internos. Mas não há previsão para que isso ocorra, segundo a bibliotecária, porque as mudanças devem ser feitas com recursos dos próprios funcionários, que se dispuserem a ajudar. Além desses incômodos e da falta de colaboradores, também há problemas no telhado. ''Quando a chuva é forte, molha a sala de literatura'', relata a diretora.
Rosangela reconhece que o imóvel precisa de melhorias e diz que constantemente são apresentados projetos para a Prefeitura, além de participação em editais estaduais e federais para pleitear verbas. ''Não estamos em um espaço adequado e temos consciência disso'', confessa.
Demolir
Para o secretário municipal de Cultura, Leonardo Ramos, não há muito o que se fazer naquele espaço. ''A única solução é demolir porque historicamente já foi criado de maneira errada, como um 'puxadinho'. A Biblioteca Infantil precisa de um local digno, mas para isso é necessário transferi-la para outro local, pois não há viabilidade de fazer alguma reforma que tenha resultado'', afirma, completando que nos últimos anos não faltaram planejamentos para solucionar as carências.
Segundo Ramos, existe um decreto com validade de cinco anos que declara de utilidade pública, para fins de desapropriação, o prédio que fica ao lado da Biblioteca Pública, onde atualmente funciona uma empresa de telefonia, e indicação do plano municipal de cultura para que a unidade infantil infantojuvenil seja transferida para lá. ''É um espaço muito bom. Se o pedido for aprovado, poderemos oferecer outras atividades'', avalia, por sua vez, a diretora Rosangela.
A qualidade no atendimento é o diferencial que a bibliotecária Leda busca oferecer a todos os frequentadores, mesmo diante das dificuldades do ambiente. Segundo ela, além das atividades e atendimentos diários, a unidade desenvolve várias programações durante todo o ano, nas férias escolares de janeiro e julho e também em datas comemorativas como Dia da Poesia, Semana do Monteiro Lobato, Dia das Mães, Festa Junina, Semana da Criança e Dia da Consciência Negra.
Fundada há 28 anos, a biblioteca conta com um acervo de 8.239 títulos, divididos em infantil para crianças de 2 a 10 anos e infantojuvenil para jovens de até 18 anos. Diariamente, a unidade recebe uma média de 50 frequentadores. O espaço funciona de segunda à sexta-feira das 8 às 18 horas e aos sábados das 8 às 13 horas.


