BHC expõe crianças a riscos
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quarta-feira, 30 de julho de 1997
Maurício Borges Apucarana 
Odair StraliottiLocal esquecidoEmbalagens de BHC espalhadas em barracão, na Chácara Gamero; IAP deve vistoriar local hojeUma velho barracão de madeira, na Chácara Gamero, no perímetro urbano de Apucarana, que servia de depósito de defensivos agrícolas, transformou-se nos últimos meses em local de lazer para muitas crianças, que brincam em meio a um lote de cerca de 500 quilos de BHC, produto tóxico altamente nocivo ao organismo humano e que não pode ser vendido.
Vizinhos da chácara notaram o perigo e avisaram a Folha. O escritório regional de Londrina do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) foi avisado. Técnicos do órgão vão vistoriar o local hoje. O IAP deve fazer um levantamento preliminar da situação.
Agrônomos da Defesa Sanitária Vegetal (DSV), ligados ao núcleo regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), em Apucarana, estiveram na chácara ontem e constataram que a situação é de alto risco.
Depois que a proprietária da chácara, Maria Gamero, se mudou, o local ficou completamente abandonado. O barracão abandonado e a piscina existente na chácara atraem os garotos para cá, diz Benedito Reis da Silva, que mora em outra casa da chácara. Ele afirma que já alertou os meninos sobre o perigo do veneno, mas que eles não levam nada a sério.
Na visita à chácara, ontem, os agrônomos da Seab puderam observar meninos banhando-se na água, provavelmente contaminada, que vem de uma mina próxima ao depósito de BHC.
Junto ao barracão, técnicos observaram BHC esparramado no chão. Garotos pisam descalços no agrotóxico. Há inclusive um saco do produto que foi atirado sobre o telhado do barracão, notou o agrônomo Antônio Carlos Barreto. O BHC e os demais agrotóxicos clorados foram proibidos pelo Ministério da Agricultura no início dos anos 70.


