BHC continua exposto em Apucarana
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Duas semanas depois da descoberta de um depósito a céu aberto de BHC, um veneno proibido, em Apucarana, o produto continua no mesmo local, parcialmente coberto com um pedaço de plástico. O hexaclorobenzeno (BHC), conhecido popularmente como ''pó de broca'', é altamente tóxico e está proibido há mais de vinte anos no Brasil. Em Apucarana, o produto foi descoberto no último dia 30, num terreno particular que fica na esquina das Ruas Maranhão com Carlos Shimidt, no Jardim Apucarana, quando funcionários da prefeitura foram capinar o local.
Apesar da Secretaria do Meio Ambiente garantir que o local havia sido impermeabilizado e que Guardas Municipais estariam de vigia, a equipe da FOLHA encontrou uma situação que demonstra descaso com a gravidade do problema. A fita de isolamento colocada no local estava arrebentada, a lona preta jogada por cima da terra e do produto, presa com algumas pedras, estava rasgada. O vento forte durante a tarde de ontem espalhava terra contaminada pelo meio-fio e parte da via pública e também não havia nenhum guarda no local.
Moradores estão temerosos. ''A gente tem medo, mas o que vamos fazer? Já passou tanto tempo que isso apareceu aqui e ninguém faz nada. Meu marido já falou para eu evitar de passar aqui na frente com as crianças'', comentou a dona de casa Maria Fabiana Ribeiro.
''A vida inteira todo mundo soube que aqui tinha esse veneno aí. Só agora que resolveram cobrir e ainda cobriram assim, de qualquer jeito'', comentou o porteiro João Gonçalves, que passa pelo local todo dia. Outra moradora das imediações, Claudia Ana Nora, garantiu que os moradores tem noção do perigo do produto. ''A gente sabe que isso dá câncer e que faz mal e estamos aqui, vendo isso assim, todo dia'', reclamou.
O superintendente da Secretaria do Meio Ambiente, Sérgio Bobig, garantiu que ia mandar uma equipe da prefeitura para proteger o local. ''Já notificamos a proprietária que mora no Rio de Janeiro e ela disse que vai retirar o material. Ela também foi autuada pela Força Verde''.
Em reunião ontem a tarde com a Secretaria do Meio Ambiente e com a Vigilância Sanitária, o promotor do Meio Ambiente, Eduardo Cabrini, cobrou uma solução rápida. A promotoria também solicitou a abertura de um inquérito policial para investigar quem teria sido o responsável pela presença do produto no local. ''A prefeitura precisa retirar o produto do local o quanto antes. Segundo o Instituto Ambiental do Paraná (IAP), o local já fazia parte de uma área de monitoramento de um programa do Estado e portanto a prefeitura pode, inclusive, ser multada por não ter comunicado o órgão'', disse.


