Jataizinho

ReproduçãoPassado ricoCom o fim dos ciclos do barro, do café e do algodão, Jataizinho perdeu população, registrou queda na arrecadação e na geração de empregosAos 50 anos de emancipação política de Jataizinho (25 km a leste de Londrina), o município conheceu neste período a prosperidade e a decadência. Conhecida até os anos 80 como ‘‘Cidade das Águas’’ e ‘‘Capital da Cerâmica’’, Jataizinho hoje não passa de uma ‘‘cidade de passagem’’. O fechamento de olarias e o fim de grandes empresas fizeram com que a população de 18 mil habitantes caísse para aproximadamente 13 mil em pouco mais de 10 anos.
Comerciantes e políticos locais lutam para reverter a situação e garantem: o município foi vítima de más administrações nos últimos anos. Eles querem que Jataizinho - que serviu de base para o crescimento de toda a região Norte do Estado - volte a crescer e gerar empregos com atração de novas indústrias. Mas ainda não se reuniram ou criaram uma associação para tentar resgatar a importância política que o município ostentava em outras décadas.
Por causa da localização às margens da BR-369, que liga o Norte do Paraná ao Estado de São Paulo, os motoristas que trafegam por ali não param na cidade para utilizar o comércio ou restaurantes. Eles preferem prosseguir até Londrina ou Cornélio Procópio, onde a infra-estrutura e opções são maiores.
Na Câmara de Vereadores, situação e oposição tem discursos semelhantes quando se fala da crise. O vereador Alex Antônio Gomes de Faria (PFL), aliado do prefeito Luiz Yoshiharu Sato (PFL), tenta defender a atual administração afirmando que já pegou o município em dificuldades financeiras. ‘‘Temos uma receita pequena e uma folha de pagamento grande. O dinheiro próprio não dá para executar nenhuma obra’’, diz.
Ele argumenta que o município ‘‘é problema em cima de problema’’, citando a superlotação do cemitério, a falta de postos de saúde e de escolas. ‘‘Hoje, Jataizinho está um caos’’. O presidente da Câmara, Marcos Alexandre Domingues (PSDB), oposição à atual administração, revelou que a prefeitura mantém 300 funcionários, mas não quer enxugar a máquina administrativa com um programa de demissões voluntárias.
Ele garante que falta vontade política para tirar Jataizinho desta situação. ‘‘O prefeito fica dando ajuda de R$ 200,00 para um, de R$ 500,00 para outro. Assim realmente não sobra dinheiro para realizar obras. Mas o município tem saída. Basta o prefeito se empenhar mais e não querer trabalhar em causa própria’’.
No início dos anos 40 e 50, Jataizinho foi a mola propulsora do progresso na região. As olarias e cerâmicas - chegaram a ser mais de 60 no município - abasteceram a construção civil de Londrina, Ibiporã e outras cidades. Ao mesmo tempo, crescia o mercado de trabalho e atraía novos investidores. Com o fim do barro e da madeira para aquecer as fornalhas, as cerâmicas foram fechando suas portas. Hoje, cerca de 15 ainda estão em funcionamento, mas com reduzido número de funcionários.
‘‘Jataizinho é pai e mãe abandonados. Ela ajudou toda a região a se erguer e hoje está nesta situação. E pensar que há alguns anos fomos melhor que Ibiporã e outras cidades’’, relembra o comerciante Alcebíades Coelho, 69 anos, dono de uma loja à margem da rodovia. Para ele, a crise das olarias e o fim do ciclo do algodão ajudou na ‘‘derrubada’’ da cidade.
Sem dinheiro em caixa, a prefeitura não tem nem como executar obras de melhoria. Na Praça Frei Timóteo, no centro da cidade, os postes de luz e os bancos de concretos estão quebrados. A mesma situação é constatada no parque infantil. ‘‘A prefeitura arruma e os vândalos quebram tudo pelo simples prazer de destruir. Não existe fiscalização’’, reclama o comerciante Youssef El-Kadri, que mora em frente à praça.

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