Benzeno preocupa fiscalização
Curitiba - Todos os derivados do petróleo possuem na sua composição hidrocarbonetos e um deles é o benzeno, considerado tóxico e cancerígeno. O benzeno ainda possui outro agravante, é persistente no meio ambiente em função de sua fórmula química (anel aromático). O óleo lubrificante ainda contém outros hidrocarbonetos tóxicos, sendo considerado um produto perigoso que preocupa a fiscalização ambiental.
A engenheira química do Departamento de Licenciamento de Atividades Poluidoras do IAP, Ana Cecília Nowacki, explica que toda vez que se trabalha com esse tipo de produto, qualquer resíduo gerado é definido como perigoso, mesmo que seja a estopa suja de óleo ou a embalagem utilizada. ''No caso de oficinas e postos de gasolina, não se torna tão perigoso para a saúde do trabalhador, porque se trata de um espaço aberto'', esclarece.
''O problema é a contaminação do solo, que pode ocorrer durante derramamentos, disposição inadequada ou despejo do resíduo, proveniente de lavagens, por exemplo, direto na rede de esgotos. As embalagens também não podem ir para o lixo comum porque vão levar caraterísticas diferentes ao local e serão focos de contaminação do solo'', alerta. ''Juntando 10 mil oficinas podemos vir a ter um problema, mesmo pulverizados'', completa ela.
A engenheira química diz nunca ter tido conhecimento de um levantamento para saber qual o real potencial poluidor das oficinas mecânicas. ''A lei ambiental e outros aspectos legais do setor são preocupações recentes. Se compararmos as oficinas com os postos de gasolina, que manejam o produto puro, a possibilidade de contaminação é quase que certa e numa proporção muito maior. Acredito que, com o tempo, a resolução ambiental irá focar este detalhamento em outros empreedimentos e junto aos comerciantes'', acrescenta.
Para a especialista, o óleo lubrificante, útil para toda a sociedade, está incluído numa discussão maior, a questão do resíduo pós-consumo. ''A partir do momento que usamos um produto desta natureza, o que sobra ou foi usado é perigoso e se tornar um problema. Assim acontece com os pneus, lâmpadas e pilhas'', informa. ''Não temos no Brasil uma resolução ambiental de recolhimento do resíduo pós-consumo e perigoso que a gente gera, para que seja descartado da maneira adequada'', observa Nowacki. (F.G.)





