Bento XVI ataca machismo e defende família
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domingo, 13 de maio de 2007
Folhapress 
Aparecida- No discurso feito ontem na abertura da 5 Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano (Celam)), em Aparecida, o papa Bento XVI condenou o machismo presente na sociedade latino-americana.
''Em algumas famílias da América Latina persiste ainda a desgraça de uma mentalidade machista, ignorando as condições do cristianismo que reconhece e proclama a igual dignidade e responsabilidade da mulher e do homem.''
O Sumo Pontífice acrescentou que o papel da mãe na família é essencial para a educação e criação dos filhos.
''A família é insubstituível para a serenidade pessoal e para a educação dos filhos. As mães que querem dedicar-se plenamente à educação dos seus filhos e ao serviço da família devem gozar de condições necessárias para poder fazê-lo e, para isto, têm o direito de contar com o apoio do seu Estado. O papel das mães é fundamental para o futuro da sociedade.''
O papa também criticou ontem o capitalismo e o marxismo. Segundo ele, tanto o capitalismo quanto o marxismo fracassaram na tentativa de reduzir a desigualdade social dos povos.
Bento XVI responsabilizou ainda os governos da América Latina e Caribe pela desigualdade social da região. ''Os problemas da América Latina e do Caribe, assim como do mundo de hoje, são múltiplos e complexos, e não podem ser enfrentados com programas gerais. A questão fundamental sobre o modo como a Igreja, iluminada pela fé em Cristo, deve reagir diante destes desafios, diz respeito a todos nós'', afirmou ele.
Estado laico O papa disse que o trabalho político não é competência da Igreja. Ao mesmo tempo, afirmou que o respeito à laicidade do Estado com a pluralidade das posições políticas é essencial para a tradição cristã. ''Se a Igreja começar a transformar-se em sujeito político, não faria mais pelos pobres e pela justiça. Sinto que faria menos porque perderia sua independência e sua autoridade moral identificando-se com uma única via política e com posições parciais'', disse.
Governos autoritários- Em seu discurso, o papa sinalizou preocupação com governos autoritários da América Latina e Caribe. ''(Nessa região), como em outras regiões, se chegou à democracia ainda que exista preocupação com formas autoritárias de governo ou sujeitas a certas ideologias que se acreditavam superadas e que não correspondem com a visão cristão do homem e da sociedade''.
Por outro lado, ele também atacou a forma como os países da região seguiram a receita neoliberal em suas economias. ''A economia neoliberal de alguns países latino-americanos têm que levar em consideração a igualdade social, pois continua aumentando a pobreza'', afirmou o papa.
O papa defendeu que também a globalização se guie por princípios éticos.
Após receber os cumprimentos dos bispos que participam do evento, Bento XVI voltou ao Seminário Bom Jesus de carro, de onde retornou à Basílica às 18h30 para embarcar em helicóptero que o levou até o Aeroporto Internacional de Guarulhos. A partida do pontífice e sua comitiva para Roma estava prevista para as 20h50 de ontem.


