Bens públicos na mira de vândalos e ladrões
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quarta-feira, 04 de fevereiro de 2009
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Uma placa torta aqui, um telefone público queimado lá, um hidrante danificado numa esquina qualquer. Problemas como esses, além de ''sumiços'' de cabos telefônicos e de energia elétrica, são constantes em Londrina.
Moradores da Zona Norte sabem muito bem o que é conviver com esses problemas. Poucos meses depois da inauguração do Lago Cabrinha - ainda em 2005 - houve o furto de toda a fiação do local, que até hoje está sem os equipamentos. O gerente de iluminação pública da secretaria de Obras, Antônio Sokoloski, lembra que os ladrões quebraram um dos postes e foram puxando toda a estrutura metálica que estava embaixo da terra ligando poste a poste. ''Como é uma obra que depende de licitações, o problema demorou a ser solucionado. Agora a obra já foi licitada e gastaremos R$ 292 mil para devolver ao local a iluminação. É um dinheiro que a prefeitura não precisaria gastar novamente se não fosse esse tipo de vandalismo'', comentou.
O motorista Hélio de Carvalho, que mora na Zona Norte há dez anos, lamenta esse tipo de ação. ''Durante a noite nem passamos por aqui, mas é gostoso ficar aqui de dia, pescando. Uma vez flagrei uns rapazes arrancando e quebrando as mudas de árvores e eu tive que chamar a atenção deles. É lamentável as pessoas não darem valor às coisas que são delas também.''
Furto de cabos de alumínio ou cobre é um problema enfrentado constantemente também pela Sercomtel e pela Copel. Para reparar um transformador a companhia de energia gasta de R$ 3 mil a R$ 6 mil. Um vão de 35 metros de cabos sai entre R$ 300 e R$ 800, dependendo da espessura e do material do qual é feito.
Segundo a assessoria da Copel, transformadores em áreas rurais e redes de cabos em loteamentos antigos estão entre os que mais chamam a atenção dos ladrões, que ainda correm o risco de morrer por choque elétrico. A empresa informa que a sociedade é diretamente afetada com o custo de reposição dos materiais, que é repassado para a tarifa, além de sofrer com desligamentos sempre que ocorrem os furtos.
A Sercomtel enfrentou o primeiro problema de furto do ano nos primeiros dias de janeiro, quando 180 metros de cabos foram levados da Avenida Angelina Ricci Vezozzo, local que já havia sido alvo de pelo menos dez furtos em 2008. Ao todo, a empresa sofreu um prejuízo de R$ 3,9 mil. Apesar do número de furtos ter diminuído, a quantidade de material levado tem aumentado. De acordo com a assessoria da empresa, em 2006 foram 47 ocorrências com um total de 3,3 mil metros de cabos furtados; em 2007, 38 ocorrências registraram o furto de 5,1 mil metros de cabos telefônicos.
A empresa ainda lida com os estragos feitos nos telefones públicos e só em 2007 registrou 1.426 ocorrências de vandalismo - uma média de 118 telefones danificados por mês. No ano passado, houve 904 casos, incluindo 75 aparelhos queimados ou completamente destruídos. Ao todo, o prejuízo da empresa somou, nos dois anos, R$ 84,5 mil.
Nem hidrantes ou placas de sinalização são poupados pelos vândalos. No ano passado a Sanepar precisou corrigir a função hidráulica e pintura de 250 hidrantes de coluna que tiveram suas tampas destruídas ou que estavam entupidos com lixo.
O vandalismo atinge ainda as placas de sinalização. O comerciante Maicon Gustavo de Almeida, que há oito anos possui uma sorveteria na Vila Operária (Zona Leste), disse que no bairro é comum avistar placas tortas. ''A gente sempre encontra alguma placa danificada. Essa mesmo aqui na frente (indicando caminho para o Hospital Universitário) está assim há pelo menos um ano. É muito ruim para os motoristas mas a gente não consegue flagrar alguém fazendo isso porque acredito que agem à noite'', comentou.
O diretor de Trânsito da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina, Sérgio Dalbem, disse que de 10 a 15 placas danificadas por vândalos são trocadas toda semana em Londrina. ''Não temos uma equipe específica para ficar monitorando onde há placas estragadas. É um mal que atinge toda população, que acaba arcando com os custos da compra desses novos materiais, pois são placas compostas por tintas que precisam resistir ao tempo, sol e chuva. Qualquer pessoa que ver alguma placa estragada ou presenciar alguém danificando ou roubando alguma placa, pode acionar a polícia imediatamente pelo 190 e também comunicar a CMTU no 3379-7900'', disse.


