Benéfico para a saúde, mas em dose moderada
O vinho também tem fama de ser bom para a saúde. Uma pesquisa concluída este ano pela Universidade de Atenas e pela Escola Harvard de Saúde Pública indicou que o consumo moderado de álcool é um dos componentes dominantes da dieta mediterrânea que contribui para diminuir a mortalidade, ao lado do azeite de oliva, das nozes, das frutas e legumes e do baixo consumo de carne animal e de laticínios. Segundo o cardiologista Manoel Canesin, o consumo moderado de álcool pode trazer benefícios à saúde, como o efeito vasodilatador, relaxando as artérias, o efeito antioxidante, o aumento do HDL (o colesterol bom), diminuição do LDL (o colesterol ruim) e a diminuição da formação de coágulos, que podem entupir a coronária, reduzindo as chances de infarto.
O vinho, especificamente, além de conter álcool, possui flavonóides e um polifenol chamado reveratrol, que tem efeito antioxidante e diminui o LDL. O reveratrol, principal molécula hoje estudada no vinho, é produto da fermentação, por isso é encontrado em maior quantidade em vinhos mais concentrados, como os da uva tannat, que ficou conhecida como a mais amiga do coração. O vinho tem duas vantagens: é fermentado, e nessa fermentação você consegue extrair mais reveratrol, e tem uma taxa de álcool, diz.
Ele salienta, no entanto, que há benefícios no consumo de álcool somente para quem o consome moderadamente, o que corresponde a menos de 20 gramas diárias, ou duas taças de vinho, em média. Se você consome mais que o moderado, inverte o problema, avisa. Mais que duas taças de vinho por dia oferecem riscos como a dependência, cirrose hepática, aumento da taxa de incidência de câncer e efeito vasoconstritor, aumentando as chances de derrame e cardiomiopatia, doença que causa inchaço do coração.
Beber vinho todos os dias também não vai trazer benefícios se a pessoa não se cuidar. Não adianta nada tomar dois copos de vinho e ser obeso, sedentário e tabagista. Esse efeito benéfico que a bebida traz para quem tem esses outros fatores de risco não faz diferença alguma, explica Canesin. O vinho acrescenta à saúde da pessoa se ela associar o consumo moderado da bebida à dieta do mediterrâneo, por exemplo, a exercícios e a antitabagismo. (M.F.C.)





