Neste dia 12 de outubro celebra-se o dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, e em Apucarana fica um dos maiores acervos iconográficos de Maria, representada em suas diversas graças em milhares de imagens de diferentes escolas artísticas e de diferentes períodos, conforme imaginados pelos artistas que a materializaram por meio de seus trabalhos ao longo dos séculos. São reproduções de obras que ficam em um acervo permanente ao lado do Santuário São José. Nesse acervo estão as múltiplas representações da figura de Maria de Nazaré, esposa de José e mãe de Jesus Cristo, de diversas partes do planeta, por isso não é raro encontrar representações dela com características africanas, asiáticas ou indígenas.

Idealizador do projeto, padre José Antônio Bertolini conta que a exposição possui 18 cenas representativas da vida de Maria criadas a partir dos Evangelhos de Mateus e de Lucas
Idealizador do projeto, padre José Antônio Bertolini conta que a exposição possui 18 cenas representativas da vida de Maria criadas a partir dos Evangelhos de Mateus e de Lucas | Foto: Anderson Coelho



Muitas pessoas acreditam que a Igreja Católica adora imagens, o que não é verdade. Tal como fotografias de pessoas pelo qual se tem apreço, orar diante das pinturas, esculturas e fotografias religiosas não significa um culto ao suporte dessas representações artísticas, sejam elas tela, papel, mármore ou gesso. Ao ficar diante de ícones como esses da exposição, os devotos se inspiram no que elas representam, em suas atitudes de santidade.

Segundo o padre José Antônio Bertolini, da Paróquia São José, a exposição possui 18 cenas representativas da vida de Maria criadas a partir dos Evangelhos de Mateus e de Lucas, que são os dois que mais falam de Maria. Bertolini foi o idealizador do projeto, que faz parte do Centro de Espiritualidade Josefino e da Congregação de Oblatos de São José, curadores das reproduções. "Nelas estão todas as cenas representadas no Evangelho, desde a anunciação dos anjos a Maria, a visita dela à prima Isabel, o nascimento de Jesus, o casamento dela com José, e enfim toda a sua trajetória ao lado de Jesus", destacou. "Elas são fruto da criação dos artistas que ao longo dos séculos conceberam Maria dessa maneira. O restante das imagens são reproduções de santuários, igrejas e lugares onde Maria teve certa devoção.

Dispostas em quadros de 20 por 25 centímetros, o espaço reúne cerca de 6 mil quadros entre imagens de Nossa Senhora e de São José, das quais 4,5 mil representam a figura da mãe de Jesus. "A montagem foi feita artesanalmente e houve colaboração de leigos que ajudaram nesse projeto. A gente teve a ideia de construir essa exposição, porque aqui é um centro de difusão e estudos sobre São José e ele está ligado à Virgem Maria, Nossa Senhora, por ser marido dela. Como já tínhamos muitas fotografias à disposição de quando viajei à Itália, fui aumentando a coleção e chegamos a isso", declarou o padre.

LEIA MAIS:
- Quantidade de imagens impressiona visitantes

O padre explica que o desenvolvimento da devoção a Maria começou a partir do século 3 de maneira espontânea. "Até o século 3 não havia liberdade religiosa. Os primeiros cristãos não podiam expressar a sua fé, mas a partir do ano 313 o imperador Constantino permitiu isso e os cristãos, que tinham essa consideração por Maria, passaram a se expressar por orações, devoções e por expressões artísticas também", destacou.

Bertolini ressalta que a característica mais presente em todas essas obras é a figura de Maria como mãe. "Isso está presente em quase todos os ícones que estão aqui, seja dela cuidando de Jesus, aleitando Jesus, ou instruindo Jesus. Maria está quase sempre representada com o menino Jesus em seus braços ou a seu lado", destacou.

Ele explicou que mesmo o protestantismo reconhece Maria como Mãe de Deus, inclusive os reformadores Martinho Lutero e Ulrico Zuínglio. "Eles reconheceram isso, mas a teoria protestante focou em outra dimensão do relacionamento com Deus. Os reformistas viram o relacionamento direto do homem com Deus, por meio de Jesus Cristo que é o Salvador. Nós, católicos, vemos a intermediação com Deus por meio de santos e por meio da gente (clero) como intercessores", destacou.

Ele ressaltou que Nossa Senhora Aparecida é a referência da devoção mariana para os católicos de todo o Brasil. "Nossa Senhora Aparecida realmente se manifesta para todo brasileiro, não só para os católicos, mas àqueles que não tem religião e sentem a manifestação de sua maternidade divina. Ela é o referencial para os brasileiros assim como Nossa Senhora de Lourdes é para a França, Nossa Senhora de Loretto é para a Itália, Nossa Senhora de Fátima é para Portugal e Nossa Senhora de Guadalupe é para o México.

Entre todas as imagens expostas, Bertolini tem sua preferência por Nossa Senhora de Guadalupe. "Sempre gostei de Nossa Senhora de Guadalupe e aqui temos três imagens dela. Ela está associada ao México, quando apareceu para um índio e houve a manifestação do milagre das flores, em que rosas foram colhidas em pleno inverno. Representa um fato interessante, e há estudos sobre essa imagem dizendo que era impossível ter sido feita por mãos humanas", destacou.

A guardiã de todo esse acervo iconográfico é a Irmã Silmara Ferreira, que trabalha no local há três anos. "Mais de cinco mil pessoas já vieram visitar. São pessoas de municípios daqui da região. São muitas crianças da catequese, coroinhas, grupo de jovens, membros da pastoral familiar. Muitas pessoas chegam aqui em caravanas, são vários peregrinos, mas também surgem pessoas de várias partes do mundo."

Segundo a religiosa, a reação dos visitantes que passam pelo local muitas vezes é de espanto, por ser o único acervo do mundo em que tantas imagens estão centralizadas juntas. "Muitos chegam aqui e dizem que imaginavam que o local era grande, mas não imaginava que era tanto. Também vejo a reação de muita gratidão quando essas pessoas se deparam com as várias faces diferentes de Maria", destacou.

Para ela é uma graça muito grande trabalhar nesse espaço iconográfico. "É muito lindo ver. Jamais imaginaria ter essa oportunidade. Vejo como um presente de Deus na minha vida, pois se eu for parar para ler cada explicação das imagens é como se eu estivesse fazendo um retiro. A imagem de Nossa Senhora de Nazaré, por exemplo, foi esculpida por São José e pintada por São Lucas. Passou tanto tempo e a gente vê como se fosse hoje", disse.

SERVIÇO:
Centro de Espiritualidade Josefino-Marelliana
Endereço - Rua Arthur Bernardes, 600 Apucarana-PR
Horário de visitação - De segunda a sexta-feira, das 13h30 às 17h30, e todo quarto domingo do mês, das 15h30 às 17 horas.
Informações - (43) 3033-1898

mockup