O secretário de Justiça do Paraná, Edson Luis Vidal, afirmou ontem à Folha que ao, lado da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL), será construída uma área industrial para os presos trabalharem. A princípio, ele descarta a possibilidade de ser erguida ali a prisão provisória para onde seria levada uma parte dos presos que estão nos Distritos Policiais da Cidade. No entanto, ele não descarta a possibilidade de ‘‘ser convencido a mudar os planos mediante um bom diálogo’’.
Segundo o advogado e ex-presidente do Conselho Municipal de Segurança, Luis Carlos Munhoz, os muros já estão erguidos ao lado da PEL. ‘‘Em menos de 10 meses seria possível concluir a obra, o que resolveria em parte o problema de superlotação de presos nos DPs’’, defende o advogado.
Munhoz lembrou que os muros foram erguidos para a construção da prisão provisória e, atualmente, está-se mudando a proposta original. ‘‘A construção desta prisão iria liberar 96 vagas, conforme o projeto, e com possibilidade de aumentá-las para 120 vagas’’. O prefeito Antonio Belinati afirmou que está disposto a fazer parceria com o Governo do Estado e ajudar na obra, afirmando que em menos de um ano ela estaria pronta. ‘‘A preocupação da segurança de nossos DPs deve ser de todos nós. O Governo Municipal se prontifica em cooperar na construção do minipresídio’’, garantiu o prefeito. Belinati deverá entrar em contato, amanhã, com o secretário Edson Vidal para fazer-lhe a proposta de parceria.
O secretário de Segurança, Cândido Martins de Oliveira, se entusiasmou com a idéia de dar continuidade às obras do presídio provisório e prometeu falar com Vidal para debater o assunto. ‘‘Eu não quero saber se vai se chamar prisão provisória ou cadeia pública. Quero é ver o problema carcerário de Londrina resolvido ou amenizado. A idéia é boa e vou falar com o secretário da Justiça sobre ela.’’ Oliveira está viabilizando a construção da cadeia pública que será erguida em um terreno doado por um empresário particular na Gleba Três Bocas. O projeto ainda não foi concluído e a obra, conforme o próprio secretário de Segurança, deverá demorar cerca um ano e meio. ‘‘Podemos dar andamento nas duas obras ao mesmo tempo, sem problema nenhum de continuidade.’’
Edson Vidal disse que a área industrial para a PEL significa dar continuidade à nova filosofia carcerária do Paraná. Ele ressalta que é preciso fazer o preso condenado trabalhar para ter ocupação, obedecendo assim às leis de Execuções Penais.
Outro aspecto negativo que o secretário observou para que não se faça no local a construção do presídio provisório é a possibilidade dos presos condenados da PEL se interarem com os presos provisórios. ‘‘Esta promiscuidade poderia trazer tensões e rebeliões, pois o condenado tem que ser tratado de forma diferenciada em relação a outro tipo de preso.’’
Vidal prometeu para o próximo ano a construção do presídio industrial em Londrina. Este ano serão concluídos os presídios industriais de Guarapuava, Maringá e Cascavel. Os custos dos presídios serão 80% pagos pela União e o restante será de responsabilidade do Estado.
(Paulo Ubiratan)

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