‘‘Os médicos que não estão trabalhando corretamente precisam ser punidos rigorosamente com suspensão e até com demissão’’. A afirmação é do prefeito de Londrina Antonio Belinati (PDT), comentando as denúncias do Ministério Público de que alguns profissionais que atuam nas unidades básicas de saúde do município não estão cumprindo a carga horária de quatro horas diárias.
Anteontem, o promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, visitou dois postos de saúde da zona sul. Entre outras irregularidades, ele constatou que alguns médicos saíam antes do horário determinado.
Belinati diz que irá determinar à secretaria da Saúde a fiscalização do trabalho dos médicos. ‘‘Não podemos permitir este tipo de negligência’’, ressalta. Ele afirma que os profissionais que não estão cumprindo a carga horária devem ser suspensos. ‘‘Em caso de reincidência, deve ser aberto processo administrativo e o médico pode até ser demitido’’, observa.
Ainda de acordo com o prefeito, serão afixados cartazes nos postos de saúde, informando a população sobre a escala de trabalho dos médicos. ‘‘Se a pessoa for lá e não encontrar o médico que deveria estar trabalhando, tem que denunciar’’.
Ontem, o promotor Paulo Tavares visitou mais dois postos de saúde - do jardim Marabá e Vila Ricardo (ambos na zona leste) e voltou a constatar que os médicos não têm cumprido a jornada de trabalho de quatro horas diárias. ‘‘Os médicos, na sua grande maioria, têm cumprido de duas a três horas’’, comenta o promotor. Por enquanto, todos os nomes estão sendo resguardados.
Tavares observa que há situações que chegam a ser preocupantes. Ele cita o caso de um médico que ‘picotou’ o cartão duas vezes na mesma manhã para compensar um dia de trabalho não cumprido. Mesmo assim, naquele dia, ele não chegou a cumprir as quatro horas de trabalho. As visitas do promotor estão sendo acompanhadas pelos conselheiros de saúde da região onde estão localizados os postos visitados.
A intenção da promotoria é passar por um ou dois postos de cada região da cidade para só então elaborar um relatório, detalhando a situação, para ser entregue ao secretário de saúde, Agajan Der Bedrossian. Pelo que já foi constatado, Tavares adianta que manter apenas o cartão ponto não é suficiente para garantir a presença dos médicos nos postos de saúde.
‘‘É preciso ter uma fiscalização sobre esses cartões’’, diz. Junto com o relatório, Tavares irá pedir providências à secretaria de saúde. ‘‘Acho que para essa situação cabem medidas administrativas.’’
Antes de enviar o relatório ao secretário de saúde, Tavares irá apresentar um relato sobre a situação dos postos na audiência pública marcada para a próxima quarta-feira, às 8 horas, na Câmara de Vereadores. A audiência irá discutir os problemas de saúde pública. ‘‘O que estamos vendo é o maior desprezo que pode haver com a comunidade’’, diz o promotor.

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