Londrina
Depois de alguma polêmica e muita negociação, a bancada de apoio ao prefeito Antonio Belinati (PDT) na Câmara de Vereadores de Londrina conseguiu aprovar em última votação, na sessão extraordinária de ontem, o projeto de lei do Executivo que solicita autorização para usar, em garantia caucionária, as ações que a Prefeitura possui no capital da Sercomtel S/A. A única mudança ocorrida foi no valor: o Executivo pleiteava R$ 100 milhões, mas uma emenda modificativa de consenso entre a bancada do prefeito e os vereadores de oposição baixou para R$ 80 milhões. O único voto contrário foi de Antonio Ursi (PT).
O projeto de lei receberá na segunda-feira uma redação final e será despachado ao prefeito Belinati para sanção. Com a aprovação da possibilidade de caução - em antecipação ao processo de venda no mercado das ações que possui na empresa -, a Prefeitura pretende conseguir recursos, através de financiamentos bancários, para investir em obras de infra-estrutura e para a compra de áreas destinadas à implantação da futura Cidade Industrial, na zona norte da Cidade.
A bancada de oposição ao prefeito - lideradas por Célio Guergoletto (PMDB) e Tercílio Turini (PSDB) - ameaçou votar contra o projeto por discordar da quantia reivindicada e porque não estaria claramente definido onde os recursos conseguidos com os empréstimos seriam investidos. ‘‘É temerário liberar R$ 100 milhões assim, sem maiores garantias de onde o dinheiro será aplicado’’, afirmou Turini. ‘‘Temos que avaliar melhor a destinação dos recursos e diminuir este valor pedido.’’
Ele disse que estava preocupado também com a dilapidação do capital e a possível desvalorização do valor das ações da Sercomtel no mercado, que deverão começar a ser negociadas em março de 98. ‘‘Temos que tomar o cuidado para não matar a galinha dos ovos de ouro de Londrina’’, comentou Turini, lembrando que a cada nova etapa da crise financeira porque passa a Prefeitura se recorre a empréstimos através da companhia telefônica municipal.
O capital da Sercomtel está atualmente avaliado em cerca de R$ 268 milhões. Outra questão que deixou a oposição irritada foi o não comparecimento à Câmara do presidente da Sercomtel, Rubens Pavan, que havia sido convidado a prestar esclarecimentos na sessão de ontem. Mesmo com dificuldades, o líder da bancada do prefeito, Renato Araújo (PPB), conseguiu negociar a emenda que garantiu a aprovação do projeto.

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