O prefeito de Londrina, Antônio Belinati, não quis comentar o artigo do jornalista Walmor Maccarini, publicado ontem pela Folha, sobre o projeto do Executivo que doa o aterro do Lago Igapó 2 à iniciativa privada. Belinati disse que não leu o jornal ontem porque teve que visitar alguns distritos pela manhã e que não queria comentar as afirmações de Macarini sem antes conhecer o teor do texto.
Ao abordar o processo de licitação que a Prefeitura faria para doar a área do aterro do lago, o jornalista afirmou que ‘‘já existe o ganhador... A ‘vencedora’ é a empresa carioca In Monte, empreendedora de shopping centers, já associada do Shopping Estação Plaza Show, de Curitiba, e que terá como sócia em Londrina a Construtora Plaenge, do empresário Ézaro Medina’’.
O promotor especial de Defesa do Patrimônio Público, Bruno Galati, disse que leu o artigo mas preferiu não tecer comentários. Para o promotor, qualquer informação, por enquanto, ‘‘é mera especulação’’. Galati declarou apenas que vai esperar o edital de licitação para avaliar se houve direcionamento. Afirmou que, se perceber qualquer fraude, pode tentar anular o edital. ‘‘Eu não posso entrar em especulação’’, reiterou.
Ézaro Medina, proprietário da Construtora Plaenge, está viajando. Mas Fernando Dores Fabian, diretor da empresa, comentou: ‘‘Estranho a afirmação, porque não é possível ser vencedor de uma licitação que sequer teve edital publicado. A informação não procede.’’
Sobre o interesse da Plaenge em participar de eventual licitação, o diretor da construtora disse que antes de mais nada é necessário ver o edital para conhecer as condições da licitação. ‘‘Somente depois de tomar conhecimento do conteúdo do edital de licitação será possível definir se haverá ou não interesse na disputa.’’
Já o procurador do Município, Eduardo Duarte Ferreira, disse que não pode considerar hipóteses. ‘‘O articulista fez exercício de futurologia. Não é possível apontar vencedor de uma licitação cujo edital ainda não está concluído’’, diz o procurador. Ele acrescentou que a definição das regras da licitação depende de segunda ordem do prefeito Antônio Belinati.
Eduardo Duarte Ferreira acrescenta, entretanto, que a decisão vai depender, inclusive, do laudo técnico a ser elaborado pelo Instituto Ambiental do Paraná (Iap). ‘‘Se o laudo for favorável, o centro de lazer deve ser construído. Caso contrário, não sai.’’

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