Lúcio Horta
De Londrina
O prefeito de Londrina, Antonio Belinati (PFL), liberou a bancada governista da Câmara para aprovar a Comissão Especial de Inquérito (CEI) que investigará supostas irregularidades cometidas na administração municipal. A decisão foi comunicada em uma entrevista coletiva ontem de manhã, no gabinete do prefeito, e acompanhada pelos vereadores da situação. A votação do requerimento, pedindo a abertura da CEI, ocorreria à tarde, mas a sessão do Legislativo acabou suspensa.
Belinati justificou a decisão dizendo que a Câmara deveria acatar o pedido de diversas entidades que estão cobrando dos vereadores uma posição sobre as supostas irregularidades. ‘‘O assunto está amadurecido. A gente sentiu que (a CEI) é um desejo da cidade’’, afirmou o prefeito à imprensa, pouco antes de abrir a reunião com os vereadores. Ele completou: ‘‘É um gesto de respeito ao nosso contribuinte. (Por isso) estamos fazendo um apelo para que os vereadores estejam em sintonia com os anseios da população.’
Ontem, foi a primeira vez que Belinati falou mais demoradamente sobre as investigações que o Ministério Público vem realizando em órgãos da administração municipal. Os promotores Bruno Galatti, da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público, e Cláudio Esteves, da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), encontraram indícios de irregularidades em dezenas de contratos da AMA e da Comurb. O prejuízo para os cofres públicos pode chegar a R$ 30 milhões, conforme declarou em depoimento Eduardo Alonso, ex-diretor-financeiro da Comurb.
O prefeito demonstrou interesse que o caso seja investigado até o fim e que, se houver comprovação de fraude na administração pública – incluindo irregularidades na Sercomtel S/A –, os culpados devem ser rigorosamente punidos. ‘‘Inclusive, que essas pessoas sejam punidas com o ressarcimento dos cofres públicos’’, destacou. O prefeito acrescentou que o Executivo tem dado ‘‘todo o apoio’’ às investigações, ‘‘colocando à disposição do Ministério Público, desde abril, qualquer documentação que os promotores julgarem necessária’’.
Sobre as denúncias envolvendo AMA e Comurb, Belinati ressaltou que toda empresa do município tem autonomia financeira para trabalhar. Essa autonomia, acrescentou, ‘‘vai até onde ele (responsáveis pelos órgãos públicos) agiu com dignidade, competência. Senão, pode até ser acionado judicialmente.’’ Belinati destacou: ‘‘Quem errou, tem que responder pelo erro’’.
O prefeito disse que não determinou uma auditoria interna da prefeitura, para apurar as possíveis irregularidades porque o caso já está sendo investigado pelos promotores. ‘‘Estamos esperando o Ministério Público concluir os trabalhos’’, afirmou. ‘‘E nós só temos elogios à ação do Ministério Público.’’
O vereador Renato Araújo (PPB), presidente da Câmara, que vinha defendendo a não-aprovação da CEI na Câmara, disse ontem que continuava com a mesma posição mas acreditava que o bloco governista iria acatar a orientação do prefeito. ‘‘Eu continuo achando que é desnecessário. Vai ser um pingue-pongue, com a Câmara pedindo documento de um lado, o Ministério Público de outro, e o resultado vai ser o mesmo’’, afirmou.

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