Londrina

Josoé de CarvalhoNa promotoriaAntonio Carlos Belinati, diretor financeiro: ‘Nunca estive preocupado com a contratação de pessoal’O filho do prefeito Antonio Belinati (PDT) e diretor financeiro da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Antonio Carlos Belinati, disse na tarde de ontem, em depoimento à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Londrina, que não teve qualquer envolvimento com as 212 contratações irregulares realizadas pela empresa no início do ano; e que elas foram responsabilidade exclusiva do então presidente Cléber Tóffoli, exonerado do cargo após o caso ter sido denunciado pela imprensa.
O depoimento ao promotor Bruno Galatti - que preside inquérito civil público que investiga as irregularidades e responsabilidades - durou mais de uma hora, e não pôde ser acompanhado pela imprensa por solicitação do advogado do diretor da Comurb, Valdir Demartini Castro. ‘‘As contratações foram feitas por solicitação da Diretoria de Operações e da Presidência. Em nenhum momento tomei conhecimento delas. Só fiquei sabendo das possíveis irregularidades através da divulgação pela imprensa’’, comentou Belinati ao sair da Promotoria.
Ele disse que prestou todas as informações solicitadas por Galatti e que o depoimento foi tranquilo, apesar de demonstrar bastante tensão e não conseguir responder a várias perguntas dos repórteres. Antonio Carlos Belinati não soube precisar, por exemplo, qual era o impacto dos salários dos 212 funcionários contratados irregularmente na folha de pagamento do quadro geral da Comurb.
O diretor financeiro garantiu que não indicou e nem recebeu nenhuma indicação de nomes para contratação. ‘‘Estas questões eram resolvidas pelo então presidente e pelo gerente administrativo, João Batista, e pela Diretoria de Operações. Meu empenho era e é mais na busca de recursos para a manutenção e crescimento da Comurb, para o pagamento das contas, das despesas. Nunca estive preocupado ou envolvido com a contratação de pessoal’’, afirmou, sem saber informar o sobrenome do gerente administrativo. ‘‘Como o Cléber Tóffoli, naquela época, acumulava o cargo de secretário da Educação, eu tinha pouco contato com ele. E foi ele quem decidiu pelas contratações, que não cabe a mim julgar se foram ou não irregulares. Este é o papel da Justiça, e acredito que a Promotoria o está desempenhando bem.’
Antonio Carlos Belinati - que tem 22 anos de idade e faz o 4º ano de Engenharia Civil, um curso de período integral - ressaltou que não deixou a direção da Comurb, na época da denúncia das irregularidades, porque o cargo dele não era de confiança do presidente que foi exonerado. Esquivando-se de que teria sido indicado pelo seu pai, o prefeito Antonio Belinati, ele comentou que fora eleito pelos membros do Conselho de Administração (CA) da Comurb. O diretor financeiro não soube, entretanto, precisar qual o número de membros e quem os indica ao CA.
Na tarde de hoje, Bruno Galatti ouve em depoimento a diretora de Operações da Comurb, Lúcia Brandão. Nos últimos meses, o promotor já ouviu cerca de 50 pessoas envolvidas no caso. Entre elas estão atuais e ex-funcionários da companhia, e cinco vereadores acusados de terem indicado parentes, amigos e cabos eleitorais para as contratações irregulares. Os vereadores sob suspeita são Carlos Kita (PTB), Célio Guergoletto (PMDB), Jaci Aguiar (PDT), Jorge Scaff (PDT) e Orlando Soares Proença, o ‘‘Bonilha’’ (PDT).
Ficou comprovado que 44 pessoas contratadas irregularmente prestaram serviços de assessoria em gabinetes de vereadores, enquanto recebiam salários pela Comurb. Galatti avalia que só conseguirá terminar o inquérito e apresentar o relatório final em fevereiro de 98, quando retornar das férias forenses.

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