‘‘Quero dar um aviso bem claro aos invasores de terreno da Cidade: nem percam tempo em invadir fundos de vales porque ninguém poderá contar com o meu respaldo.’’
O recado é do prefeito Antonio Belinati em reposta à situação dos ocupantes do fundo de vale do conjunto José Giordano (zona norte). Na sexta-feira à noite, quando as primeiras famílias chegaram no terreno, foram montados 50 barracos de lona. Em três dias o número quase triplicou e ontem a relação de famílias já chegava a 135. ‘‘Só saímos daqui se oferecerem outro terreno e melhor’’, diz o coordenador da invasão Jefferson Carlos de Deus. Os moradores têm ainda outra exigência: tem que ser na zona norte, já que todos moram na região, de favor ou pagando aluguel.
A inflexibilidade do prefeito está respaldada em informações que ele teria recebido de que muitos invasores já têm até telefone instalado no terreno ocupado. ‘‘A invasão de terrenos se tornou um setor muito organizado e não posso apoiar’’, afirmou Belinati. A situação piora, segundo ele, quando se trata de fundo de vale. ‘‘Lei federal proíbe a legalização de moradia em fundos de vales, seja aqui ou em qualquer outra parte do Brasil. Precisamos preservar nossos mananciais.’’
Jefferson de Deus garante que os 50 metros de distância do ribeirão foram respeitados. ‘‘Estamos demarcando os lotes (20 por 10 metros) a 100 metros da água e estamos deixando espaço para praça’’, disse. ‘‘Isso não vai ser uma favela porque ninguém aqui quer morar de graça. Queremos que seja uma continuação do bairro.’’
Questionado se expulsaria as famílias instaladas no fundo de vale do José Giordano, o prefeito respondeu que ‘‘qualquer medida deverá ser tomada pelo Poder Judiciário’’. Chegando de viagem ontem à noite, Belinati disse que precisava se interar melhor do caso e saber se o terreno é da Prefeitura ou da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) para então decidir se pedirá a reintegração de posse. ‘‘Se o terreno for da Cohapar, ela é que terá que tomar providências.’’
Segundo o diretor da Companhia de Habitação de Londrina (Cohab), Paulo Roberto Franzon, o terreno de aproximadamente 74 mil metros quadrados está sendo devolvido à Prefeitura pela Cohapar para construção de obras de uso comum como creche, igreja e praça. Franzon disse que a transferência está no registro de imóveis, mas até ontem não havia sido registrado. O terreno, que inicialmente pertencia à Prefeitura, foi doado à Cohapar para a construção do conjunto José Giordano, onde foram feitas 524 casas em sistema de mutirão.

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