Belarmino usa o humor para acalmar pacientes ansiosos
Bem-humorado, simpático, atencioso, prestativo, educado e brincalhão. Esses são alguns adjetivos usados para definir o auxiliar de enfermagem Belarmino José de Azeveto Neto, 50 anos. Os elogios vêm dos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), que todos os dias lotam os corredores do Conselho Regional de Especialidades (CRE), em Maringá.
Receber elogios pode até parecer comum no dia-a-dia dos trabalhadores. Mas, no caso de Belarmino, o destaque é a unanimidade em torno de um profissional que não mede esforços para atender bem.
Considerando as peculiaridades de sua profissão, Belarmino mantém um bom humor invejável. Desde as primeiras horas do dia, ele convive com pessoas enfermas, que aguardam atendimento médico durante horas. A maioria dos pacientes vem de outros municípios. Eles têm que acordar de madrugada e enfrentar viagem em peruas Kombi das prefeituras. Tudo provoca muito cansaço, aborrecimento e falta de paciência. Quando chegam ao CRE, os usuários querem logo receber atendimento, mas precisam esperar muito. Aí entra em cena Belarmino.
Ele brinca; conta piadas; mede a pressão arterial dos mais ansiosos; pede paciência dos usuários; responde com toda educação às perguntas quase sempre repetidas dos pacientes. A gente tem que entender que aqui chegam pessoas simples, deficientes visuais, deficientes auditivos, e é preciso saber orientar corretamente cada uma delas para o encaminhamento à consulta, explica.
Belarmino diz como consegue manter o bom humor: Gosto do que faço. Auxiliar de enfermagem há 31 anos, ele diz que já enfrentou muitas situações delicadas, mas sempre procurou atuar com um sorriso nos lábios. As pessoas que vêm aqui já têm problemas, e eu procuro amenizar o clima de espera, brincando com um e com outro. Logo que chega ao CRE, a primeira atividade de Belarmino é separar os prontuários e conferir as bandejas dos médicos para não deixar faltar blocos de receituários, carimbos, fichas dos pacientes e guias de encaminhamento.
Por volta das 9 horas, quando a maioria dos pacientes já está no corredor de espera por pelo menos duas horas, começa o festival de perguntas. Todos querem saber quando o médico vai atendê-los. Normalmente ele responde brincando com a gente, o que deixa todo mundo bem à vontade, apesar do cansaço e do aborrecimento de ter que ficar esperando o médico, diz a desempregada Alice Aparecida Ribeiro, 35 anos.
Já a dona-de-casa Maria Eunice Judar, 55, afirma que nunca encontrou alguém tão dedicado ao serviço atendendo o público. Ele é muito bacana e atencioso. Já vim várias vezes aqui e nunca vi o Belarmino sendo grosseiro com alguém. Ele sempre está animado e deixa o ambiente mais alegre.
O segredo de tanta disposição, explica Belarmino, é estar de bem com a vida. Eu nunca fico mal-humorado. Saio daqui até meio zonzo de tantas perguntas, mas chego em casa bem e lá sou brincalhão com a minha filha e minha esposa.Marcos NegriniCom bom humor, Belarmino atende pacientes que esperam atendimentoLucinéia Parra





