Há nove meses, o jovem Gilson Trindade Júnior, 25, de Manaus (AM) via sua vida passar sem grandes expectativas. Viciado em cocaína, ele jamais imaginava que um dia chegaria a beijar a mão do papa. E como a vida reserva surpresas para todos, ontem, quando Bento XVI resolveu quebrar o protocolo e caminhar pelo meio dos jovens que foram ao seu encontro na Fazenda da Esperança, Gilson não perdeu a oportunidade que ele jamais sonhou em ter: ao ver o papa tão perto de si, segurou a mão do santo padre e deu um beijo.
''É inexplicável. Não sei o que dizer. Para quem, há pouco tempo atrás, via a morte de perto todos os dias, beijar a mão do papa é uma sensação maravilhosa'', contou o jovem, que há pouco mais de oito meses resolveu procurar ajuda em uma unidade da Fazenda da Esperança que funciona em Manaus e está conseguindo se livrar do vício.
O curitibano Amarildo Nunes Campos, 43, não beijou a mão do papa, mas nem por isso deixava de demonstrar toda a sua alegria. Ele já era casado, pai de dois filhos e trabalhava como carpinteiro, quando conheceu ''amigos'' que o levaram a conhecer o mundo das drogas. Começou com o álcool e quando caiu na real já estava usando vários tipos de drogas e tinha sido abandonado pela esposa.
Há cinco meses, aceitando o conselho de um irmão, procurou a unidade de Florianópolis (SC) da Fazenda da Esperança e está conseguindo se livrar das drogas. ''Lá, todo mundo só fala em um ajudar o outro para que possamos ter uma vida digna novamente. Agora, eu sonho em ter a minha família de volta e sei que vou conseguir, pois o fato de estar aqui, vendo o papa, já me faz acreditar que tudo é possível'', alegra-se.

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