Bebida alcoólica não volta à UEL
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segunda-feira, 29 de setembro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A venda e o consumo de bebida alcóolica estão definitivamente banidos do campus da Universidade Estadual de Londrina (zona oeste). Depois de uma semana de protestos, a discussão sobre a questão foi encerrada ontem numa reunião entre a reitora da instituição e representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE). As festas também foram suspensas temporariamente até que uma comissão seja formada para trabalhar na viabilização do centro de convivência estudantil.
A reitora da UEL, Lygia Pupatto, saiu satisfeita do encontro. Ela tinha sido bastante criticada pelos alunos na última semana em virtude da posição que tomou de proibir a venda e o consumo de bebida alcóolica no bar que é explorado pelo diretório estudantil, o único que comercializava esse tipo de produto no campus. Lygia ressaltou que a reunião serviu para restabelecer o diáologo entre reitoria e os representantes dos estudantes, mesmo sabendo que ''divergências pontuais'' sempre vão existir entre as partes.
As festas promovidas pelos centros acadêmicos (CAs) e pelo próprio DCE foram suspensas até que seja definido um modo de realizá-las sem ferir a legislação federal que proíbe a venda e o consumo de álcool em estabelecimentos de ensino nem a norma interna da instituição que prega o mesmo procedimento. Sobre isso, uma comissão será formada para tratar da criação de um centro de convivência estudantil, ao lado do Restaurante Universitário (RU). O espaço visa promover atividades culturais e de lazer entre os estudantes.
Para o coordenador do DCE, Rafael Moraes Português, a polêmica criada sobre o assunto foi uma tentativa de ''criminalização do movimento estudantil''. Por outro lado, ele considerou que a reunião serviu para ampliar a discussão para temas realmente pertinentes. Um deles seria a revisão da cobrança de mensalidades para os mais de 80 cursos de especialização oferecidos pela instituição. O DCE quer que esses cursos sejam oferecidos gratuitamente.
Sobre esta questão, a reitora ponderou que eles foram criados no decorrer dos últimos anos como forma de garantir receita, uma vez que o orçamento da universidade sofreu com a crise financeira. ''Não podemos abrir mão dessa verba enquanto não for recuperado o orçamento, o que não acontece de imediato'', comentou Lygia. No ano passado, os cursos de especialização renderam R$ 2,8 milhões à universidade (para um orçamento de R$ 190 milhões).
Na reunião de ontem não foi discutido o aumento da criminalidade no campus nos últimos 12 meses. Neste período, foram registrados 81 arrombamentos, 26 furtos e nove assaltos à mão armada. No último final de semana, uma das cantinas particulares localizada no Centro de Educação Física (CEF) foi assaltada pela quinta vez e um ônibus de transporte coletivo, que serve a UEL, foi vítima de marginais. A reitoria aguarda para a próxima semana a liberação de R$ 337 mil pelo governo do Estado, que serão gastos na compra de câmeras e alarmes e na construção de guaritas.


