''Comecei a beber ainda criança, mas não sabia que me faria mal. No início, eram somente os finais de semana. Com os anos, se tornou uma forma de alívio aos problemas; me sentia anestesiado. Mas a situação piorou. Bebia até mesmo sozinho'', conta Carlinhos, que está desde 1996 sem beber, época em que entrou no AA.
Hoje com 39 anos, ele lembra das brigas e encrencas que se metia em função do vício. ''Tudo era motivo de briga. Por causa da dependência, não conseguia ir ao trabalho todos os dias e acabei perdendo o emprego.''
Ele começou a trabalhar por conta própria, o que, mais uma vez, não deu certo. ''Eu exalava cheiro de bebida e, com isso, as pessoas foram perdendo a confiança em mim, inclusive a família.'' Depois de anos sem êxito e desprovido de qualquer motivação, ele foi a uma reunião do AA. ''Não sei por qual motivo, mas na primeira reunião senti que 'aquilo' poderia me ajudar. Para o meu bem, foi a convergência do meu momento com a informação. Uma coisa é você ouvir uma história de quem se recuperou, outra é ouvir o depoimento da boca dela.''
Apesar de não ter tido nenhuma recaída desde então, a vontade apareceu. ''Com 20 dias, quis beber novamente. Mas a esperança e autoestima que voltavam me deram forças para continuar. O resultado foi a reconstrução da minha vida, da família e do trabalho'', comemora. Atualmente, ele participa do grupo como voluntário. (M.T.)

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