O projeto de lei que amplia a licença-maternidade para 180 dias tem poucas chances de entrar em vigor ainda este ano. Apresentado em 2005 pela senadora Patrícia Saboya Gomes (PDT-CE), o projeto ainda está em tramitação na Câmara Federal e precisa da aprovação de duas comissões: Finanças e Tributos e Constituição e Justiça para depois seguir para a sanção presidencial. O processo, que já é lento, torna-se ainda mais moroso a partir do segundo semestre porque este é um ano eleitoral. O projeto que estende a lidença por mais 60 dias cria o Programa Empresa Cidadã, mediante a concessão de incentivo fiscal.
Os maiores beneficiados pela iniciativa serão as crianças, que ganharão mais saúde. Já as mamães terão mais tranquilidade porque poderão ficar mais tempo com o bebê. Atualmente, com a licença-maternidade de 120 dias, as mulheres vivem um dilema: continuar amamentando e se dedicar exclusivamente ao bebê ou retornar ao emprego? As necessidades financeiras levam a maioria das mães a escolher a segunda opção.
A recomendação da Organização Mundial de Saúde é que os bebês sejam amamentados nos seis primeiros meses de vida exclusivamente com leite materno. Isso significa que na dieta das crianças não deve ser incluído qualquer outro alimento, nem mesmo sucos, chás ou água. Segundo a enfermeira Márcia Maria Oliveira, coordenadora do Banco de Leite do Hospital Universitário, a amamentação exclusiva tem vários benefícios comprovados.
A amamentação fortalece o vínculo afetivo entre a mãe e o filho, além de aumentar a imunidade da criança. As chances de bebês alimentados com leite materno nos seis primeiros meses contrairem uma pneumonia são quatro vezes menores; já o número de mortes por complicações de diarréia é 17 vezes menor. Na fase adulta há menos chances de ocorrência da diabetes e de problemas cardiovasculares.
''O vínculo estabelecido entre mãe e filho faz com que as crianças sejam menos mal-tratadas e sofram menos com a violência infantil. Além disso, é mais prático e econômico'', comenta Márcia. Ela acrescenta que mesmo após os seis primeiros meses, quando começam a ser introduzidos novos alimentos na dieta do bebê, a amamentação com leite materno substitui qualquer outro alimento lácteo (como leite de vaca, queijos e iogurtes) até os dois anos. ''Desta forma as mães garantem qualidade de vida aos filhos sem gastar'', avalia.
Prazer garantido
Durante a gravidez, a analista de sistemas Silvana A. V. Palma começou a buscar informações sobre o aleitamento materno. Ela amamentou a primeira filha Gabriela até 1 ano e oito meses, e deve repetir o ato com a segunda, Maria Eduarda. ''Quero amamentar minha filha até os seis meses porque é o recomendado. Depois deste prazo, é mais a necessidade do contato'', diz. Com segurança, ela garante que amamentar é prazeroso.
Ela lembra que a filha mais velha não pegou nenhuma doença no primeiro ano de vida. ''O começo é difícil, a gente acha que não vai conseguir, os peitos podem rachar, mas é muito importante porque o bebê só tem a mãe como fonte de alimento e segurança'', diz Silvana.
Mesmo trabalhando e tendo que cumprir a licença-maternidade de quatro meses, ela não pretende abrir mão do ato. A analista pretende deixar o leite necessário à nutrição da criança para os períodos em que ficará no trabalho e intensificar as mamadas quando estiver em casa.
Silvana ainda encontra tempo de ajudar na dieta de outros bebês, doando para o banco de leite o excesso de ''produção'' que não é consumido pela Maria Eduarda. ''É muito triste imaginar uma criança na UTI sem o alimento necessário'', comenta.

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