Bebês não tinham chance de vida
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de junho de 2002
Lucinéia Parra<BR>Equipe da Folha 
Maringá - Representantes do Comitê Hospitalar de Mortalidade Infantil do Hospital Universitário de Maringá (HU), disseram ontem que os bebês Vitória Eduarda Monteiro Grego, 21 dias, e Diogo Felipe do Carmo Costa, 22 dias, foram atendidos em tempo e condições adequadas no hospital, mas os exames laboratoriais feitos minutos após as internações já mostraram incompatíveis com a vida.
Vitória Eduarda morreu na madrugada de segunda-feira, vítima de infecção generalizada. Diogo Felipe morreu por volta das 11 horas de terça-feira, também por infecção generalizada. A menina conseguiu vaga imediatamente na UTI Neonatal do HU, e Diogo Felipe, foi atendido em uma sala de emergência do hospital.
De acordo com o médico pediatra José Carlos Amador, coordenador do Comitê de Mortalidade Infantil, apesar de ter sido atendido em uma ala improvisada, Diogo Felipe recebeu todos os recursos técnicos hospitalar. Nos dois casos, segundo o médico, as crianças foram vítimas de uma infecção generalizada severa que impossibilitou o sucesso dos tratamentos. Ele afirmou que o comitê vai dar continuidade às investigações para identificar as prováveis causas da infecção que atingiu os dois bebês.
Amador adiantou que tanto Vitória Eduarda como Diogo Felipe não eram bebês de risco. Ambos nasceram com mais de três quilos. Entretanto, nos dois casos, as mães suspenderam o aleitamento materno precocemente. A infecção generalizada dificilmente teria ocorrido se os bebês ainda tivessem com o aleitamento materno, afirmou. Segundo ele, o leite artificial é um dos fatores de risco que contribui para o quadro infeccioso do bebê.
Conforme relatório feito pelo comitê, Vitória Eduarda chegou no HU às 00h23 do dia 17, foi medicada, e às 00h45 estava entubada e com os cuidados de UTI. Mesmo assim, ela morreu às 4 horas, após todas as tentativas e manobras de reanimação. Diogo Felipe foi atendido meia depois de chegar no hospital e de acordo com o relatório, já apresentava um quadro de infecção generalizada comprovada clínica e laboratorialmente.
De acordo com o secretário de Saúde de Sarandi, Valdo Antonio de Oliveira Boanova, as mortes de Vitória Eduarda, Diogo Felipe e também de Paulo Henrique da Silva Faria, de oito dias, vão ser investigadas, mas até ontem não havia nenhuma informação sobre o que poderia ter ocorrido. As famílias das três crianças moram em Sarandi. Paulo Henrique morreu anteontem, no Pronto Socorro de Sarandi. O atestado de óbito apontou como causa da morte parada cardiorespiratória.
Segundo Boanova, as investigações devem revelar mais detalhes sobre a causa da morte do bebê. Por enquanto acredito que as mortes foram uma infeliz coincidência por se tratarem de três bebês de Sarandi, mas de qualquer forma vamos fazer de tudo para esclarecer melhor os fatores que contribuíram para estas mortes, acrescentou o secretário.


