Crianças moradoras de Londrina que consomem água não tratada pela Sanepar - mineral ou de poços artesianos - correm mais risco de adquirirem cáries nos dentes. A afirmação é da professora Maria Celeste Morita, doutora em saúde pública e epidemiologia pela Universidade de Paris VI-França e chefe do departamento de Medicina Oral e Odontologia Infantil da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
Segundo ela, o líquido fornecido pela companhia de abastecimento recebe adição de flúor, o que reduz a incidência da cárie. ''Essa é uma das medidas mais consagradas de combate à doença'', disse, acrescentando que, após a adoção dessa política, o índice de cáries em Londrina alcançou posição entre os menores do Brasil.
A professora, que consome ''água da torneira'' em sua casa, explicou que os parâmetros físico-químicos de potabilidade do produto fornecido pela Sanepar são controlados. No caso da água mineral, consumida em galões por muitas famílias e empresas, a composição varia de acordo com a região de extração. ''Há águas com teores altos de flúor e outras que não possuem a quantidade necessária'', ressaltou.
Enquanto a ausência de flúor predispõe à cárie, o excesso dessa substância pode causar fluorose, uma doença que altera o processo de mineralização dos tecidos dentários. O primeiro sintoma são manchas brancas nos dentes. A evolução do problema pode levar à perda do esmalte. ''Por isso, o tratamento da água com flúor segue parâmetros pré-estabelecidos'', esclareceu.
Por causa da fluorose, que indica uma superexposição ao flúor, a prática de aplicar bochechos de flúor nos alunos das escolas municipais de Londrina foi suspensa. ''Escova de dente, pasta e água tratada são suficientes para combater as cáries'', ensinou.
A especialista alertou que a pasta de dentes nunca deve ser engolida. Supervisionar a escovação noturna das crianças, cuidando para que os dentes fiquem limpos durante a noite, é outra recomendação importante. As crianças que consomem água mineral ou de poços artesianos, por estarem mais suscetíveis às cáries, necessitam de acompanhamento constante do dentista.
Para o professor associado na área de química analítica da UEL, João Carlos Alves, a adição de cloro durante o processo de tratamento realizado pelas companhias de saneamento é outro motivo para preferir a ''água de torneira''. A substância, segundo ele, evita a presença de microorganismos que podem causar diarréia e problemas estomacais diversos nas pessoas. ''O controle de qualidade é diário'', justificou.
O especialista explicou que a água mineral, além de não ter avaliação constante de sua composição, sofre risco de contaminação no depósito do vasilhame ou mesmo pela manipulação das pessoas. ''Como não tem cloro, se houver microorganismos, não há descontaminação'', disse. Ele alertou, ainda, que os poços artesianos, comuns em muitos condomínios, oferecem o mesmo risco. Outro problema é que, nos poços, não há controle sobre a presença de íons como o flúor, que pode ser excessivo ou insuficiente.
Cláudia dos Santos Quadros, gerente de uma envasadora de água mineral em Águas de Santa Bárbara (SP), justificou que o produto não têm adição de flúor porque a legislação não permite. Com relação aos outros componentes, Cláudia garantiu que estão presentes na proporção recomendada. ''A análise físico-química do produto é feita a cada quatro anos, conforme recomenda a legislação em vigor''.

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