Bebê vítima de traumatismo deveria estar em abrigo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de março de 2009
Luciano Augusto<BR> Reportagem Local 
Maringá Conforme apontam as investigações, os únicos 20 e poucos dias de vida do bebê morto anteontem em Maringá (Noroeste) devem ter sido aterrorizantes. O menino foi levado já morto à Santa Casa da cidade na quarta-feira pela manhã, vítima de traumatismo craniano. Os jovens pais, que viviam em um mocó frequentado por usuários de drogas, foram presos e autuados por homicídio com dolo eventual, por criarem o bebê em condições sub-humanas. Mas esta tragédia ainda tem um outro lado, ainda mais triste: a criança deveria ter sido retirada do convívio dos pais, mas a ordem judicial para encaminhá-la a um abrigo não foi cumprida.
Responsável pelas investigações, a delegada da Mulher, Paula Francinete Nunes, informou que o casal foi ouvido mas não soube precisar o que teria ocorrido. A mãe, de 20 anos, afirmou que estaria dormindo com o filho em um pequeno colchão e foi acordada pelo companheiro, um rapaz de 24 anos que estaria bebendo em uma casa vizinha. Ele contou que viu o bebê sangrando pelo nariz. O bebê não tinha sido registrado e estima-se que tivesse entre 25 e 28 dias.
A delegada especulou que a mãe pode ter dormido sobre a criança ou tê-la derrubado. Isso ainda terá que ser apurado, observou. O casal pode não ter querido matar mas assumiram o risco de provocar algum dano à vida da criança ao impedir a interferência do Conselho Tutelar, mesmo não tendo a menor condição de ter a criança sob sua guarda, destacou Paula.
A delegada se refere ao fato de que a Justiça havia determinado a busca e apreensão da criança por causa da falta de condições da família, que não teria endereço fixo. Há pelo menos oito dias (a data correta não foi informada pelo Conselho), um conselheiro tutelar esteve no mocó mas foi impedido de levar a criança.
A mãe foi chamada até a Promotoria de Proteção à Criança e Juventude mas, segundo a promotora Mônica Louise de Azevedo, não esperou ser atendida. Conforme a promotora, a mulher já teve outros dois filhos tomados pela Justiça, que hoje são criados por parentes. Questionada sobre as razões da demora no cumprimento da decisão judicial, Mônica argumentou que a dificuldade estaria no fato de a família morar na rua. Estávamos provocando a Justiça para, em seguida, propor a destituição do poder familiar (sobre a criança) mas não deu tempo, justamente pela conduta dos pais, lamentou. A FOLHA contatou o Conselho Tutelar mas ninguém falou com a reportagem.


