Umuarama O exame realizado pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Umuarama aponta que o bebê nascido dia 21 de janeiro, na Maternidade Municipal, morreu em consequência de traumatismo crânio-encefálico. O laudo, divulgado ontem pela família, é diferente da versão dos médicos de que a criança teria morrido após aspirar líquido durante o parto. ''Agora nós temos prova e vamos processar todos que tiveram alguma responsabilidade nisso. Nós queremos justiça'', declarou a avó do bebê, a frentista Márcia Pereira dos Santos.
De acordo com o laudo, o menino apresentava fratura com afundamento do crânio, além de escoriações nas laterais da cabeça e nas orelhas. Como os médicos retiraram a criança com ajuda de fórceps, suspeita-se que as lesões tenham sido causadas pelo uso do aparelho. A família acusa os médicos e a maternidade de negligência ou erro e registrou queixa na delegacia. A delegacia de Polícia ainda não concluiu o inquérito. Outras duas denúncias contra a maternidade também estão sendo investigadas.
A segunda morte ocorreu dia 2 de fevereiro. A mãe ficou muito tempo em trabalho de parto e a criança também foi retirada a fórceps. A família também acusa a maternidade. O laudo de necrópsia ainda não foi divulgado. No início de março, uma menina recém-nascida morreu de infecção e os pais sustentam que teria sido contraída na maternidade. As denúncias abalaram a credibilidade da maternidade e provocaram a saída de quatro médicos. Por falta de plantonistas, a maternidade está repassando alguns partos para o Hospital Nossa Senhora Aparecida.
Os dois partos com uso de fórceps foram feitos pelo obstetra Marcelo Farias Sanches, afastado da maternidade. O médico disse ontem que não tem conhecimento do laudo do IML e que não foi chamado para prestar nenhum esclarecimento na delegacia ou no Fórum. Ele explicou que o fórceps foi usado dentro das técnicas e reclamou da pressão das parturientes para fazerem cesariana. ''Todo parto pode sofrer complicações mas, aqui, quando acontece algo errado, vira culpa do médico por não ter feito cesariana'', justificou.
A secretária municipal de Saúde, Lisbeth Scanavaca, disse ontem que o laudo do IML acusando traumatismo craniano é grave, mas que o médico foi afastado e caberá agora à Justiça apurar o caso.

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