Bebê retirado de casal volta para mãe
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terça-feira, 19 de dezembro de 2000
Érika Pelegrino de Londrina 
Em apenas 28 dias de vida, a pequena Taís já passou por três lares diferentes: o seu, o de um casal para o qual foi entregue por sua mãe, e o Lar Anália Franco, para onde foi encaminhada pela Justiça de Londrina. Nos próximos dias ela deve voltar para a casa de sua mãe biológica, Natalina Soares de Oliveira. Ontem à tarde, após audiência no Fórum, ela assinou uma declaração na qual se diz arrependida e que quer ficar com a filha.
Alegando não ter condições de criar a criança, Natalina a entregou a Claudineu e Meire Terezinha Tófoli assim que ela nasceu. Eles estão casados há três anos e não podem ter filhos. Por isso, estavam se habilitando para a adoção e participam de um grupo formado por pais adotivos na igreja que frequentam.
Lá souberam que uma mulher estava grávida e precisava de apoio. Claudineu e Meire a ajudaram durante a gestação. Quanda a criança nasceu, há 27 dias, Natalina a entregou para o casal. Uma semana depois, o casal procurou o Fórum para pedir a guarda provisória da criança e a promotoria da Vara da Infância e Juventude a retirou deles e encaminhou para o Lar Anália Franco. A justificativa da promotora Édina Maria de Paula e Silva é que não irá mais aceitar adoções transversais.
Neste tipo de procedimento o casal interessado recebe o bebê direto da mãe biológica, cuida dele por um tempo e depois entra com pedido de guarda e responsabilidade. Segundo a promotora, apenas pessoas ou casais habilitados pelo Serviço de Apoio à Infância (SAI) podem adotar. A fila de espera para adoção de crianças, de acordo com a promotora, só pode ser desrespeitada no caso de irmãos consaguíneos.
Taís foi retirada do casal Claudineu e Meire nestas circunstâncias. Segundo a advogada Vanessa Jamus, que defendia o casal, a mãe biológica só teria aceitado ficar com a filha para evitar que ela fosse para uma instituição. De acordo com a advogada, nos próximos dias Natalina passará por um acompanhamento psicológico para verificar se ela tem condições de ficar com a filha. Caso contrário, o bebê será apresentado para o primeiro casal da fila de espera da Justiça.


