São Paulo - Um bebê que passou por cirurgia experimental ainda no útero da mãe nasceu anteontem, às 11 horas, no Hospital da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Nicole nasceu saudável, com 2,525 kg e 45 centímetros. Depois de lutar para sobreviver, veio ao mundo com uma missão: ajudar na recuperação do irmão L., de 2 anos, que tem um tumor abdominal.
O câncer foi descoberto há apenas 20 dias e o menino já iniciou as sessões de quimioterapia. De acordo com os especialistas da Unifesp, existe a possibilidade das células-tronco do cordão umbilical e da placenta serem usados no transplante de medula óssea. O material retirado no parto foi congelado e submetido a testes de compatibilidade - os resultados devem ser divulgados apenas na próxima semana. Em casos de irmãos, a chance é de 40%.
A mãe das crianças, Danieli Rejane Ferreira de Campos, de 27 anos, está. A cirurgia, realizada no sexto mês de gestação, corrigiu uma malformação na coluna do feto, mais conhecida como meningomielocele. Sem a operação, Nicole teria 90% de chance de ter hidrocefalia (acúmulo de água no cérebro), que causa distúrbios no funcionamento cerebral. ''Ela provavelmente viveria numa cadeira de rodas, sem movimentar os membros inferiores'', explicou o chefe de disciplina da medicina fetal da Unifesp, Antônio Fernandes Moron.

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